59ª Reunião Anual da SBPC




C. Ciências Biológicas - 12. Neurociências e Comportamento - 1. Neurociências e Comportamento

ABSTINÊNCIA E SENSIBILIDADE A EFEITOS COMPORTAMENTAIS EXPLORATÓRIOS DA CLORPROMAZINA APÓS EXPOSIÇÃO CRONICA A CAFEÍNA EM RATOS.

Antonio Roberto Teixeira1
Lucas da Silva Franca1
Lucídio Portella Nunes Neto1
Luiz Sergio Fernandes de Carvalho1
Suelen Medeiros e Silva1

1. Departamento de Clinica Médica, Faculdade de Medicina, UnB


INTRODUÇÃO:
A cafeína tem sido considerada a substância psicoativa mais consumida por seres humanos. O desenvolvimento de tolerância e dependência física a cafeína está demonstrado em seres humanos e roedores. A literatura demonstra que decréscimos de locomoção constituem alterações comportamentais estabelecidas de abstinência após suspensão de exposição crônica a cafeína em roedores. Os efeitos comportamentais agudos e crônicos da cafeína são acompanhados de interferências e alterações adaptativas do sistema dopaminérgico via receptores adenosínicos. O presente trabalho investigou a ocorrência de abstinência e de sensibilidade a efeitos comportamentais da clorpromazina, um antagonista de receptores dopaminérgicos, após exposição crônica a cafeína em ratos.

METODOLOGIA:
Ratos Wistar (N=231), machos, adultos, tiveram acesso ilimitado a água (controles) e a dois esquemas de adição a cafeína (dependentes) 1,0 mg/ml (Esquema I) e 2,0 mg/ml (Esquema II) como única fonte de líquido durante 14 dias consecutivos. Grupos independentes (n=13-16/grupo) foram testados no 15o dia, sendo que os animais dependentes estavam 24 horas abstinentes a cafeína. Os testes comportamentais foram realizados 30 minutos após injeção intraperitoneal de salina (análise de abstinência) ou clorpromazina 0,5  1,0  e 2,0 mg/kg. Locomoção horizontal (segmentos entrados), vertical (levantar)  e defecação (quantidade de bolos fecais) foram medidas durante 5 minutos em Labirinto em Y. Teste t foi utilizado para análise de abstinência; para resultados de grupos individuais, locomoção e defecação, utilizou-se Analise de Variância unifatorial e Teste Tukey como post-hoc. Nas comparações entre controles e abstinentes e entre os níveis de abstinência, utilizou-se Analise de Variância bifatorial, para avaliação dos efeitos da clorpromazina (Fator A), abstinência a cafeína (Fator B) e interação fatorial (AxB). Em todos os testes estatísticos, o nível de significância adotado foi p < 0,05.

RESULTADOS:
Na abstinência, após salina, detectou-se decréscimo estatisticamente significante da locomoção vertical e decréscimo não significante da locomoção horizontal nos dois esquemas de adição quando comparados aos controles; tais alterações foram proporcionais aos níveis de abstinência. Defecação foi aumentada não significantemente. Nos controles, com acesso a água, ocorreu efeito depressor após 1,0 e 2,0 mg/kg de clorpromazina na locomoção horizontal e vertical, mas somente após 2,0 mg/kg as diferenças foram significantes. Defecação foi aumentada ou reduzida sem significância estatística. Em relação aos controles, a magnitude dos efeitos redutores da clorpromazina sobre a locomoção horizontal e vertical foi aumentada nos dois esquemas de adição nas doses 0,5 e 1,0 mg/kg e na dose 2,0 mg/kg na vertical. Entretanto, interação fatorial estatisticamente significante somente ocorreu no Esquema II para locomoção horizontal após 1,0 mg/kg de clorpromazina. Entre os níveis de adição, ocorreu maior sensibilidade a clorpromazina no Esquema II, com diminuição significativa de locomoção horizontal após 0,5 mg/kg e na vertical após 0,5 e 1,0 mg/kg, mas sem interação fatorial. Na defecação, não foram detectadas interações significantes entre efeitos da clorpromazina e os níveis de abstinência.

CONCLUSÕES:
Decréscimos da atividade locomotora durante abstinência a dois esquemas de adição a cafeína, acompanhados de maior sensibilidade a efeitos depressores comportamentais motores exploratórios da clorpromazina, dependendo do nível da dose testada e do nível de adição, foram detectados após exposição crônica a cafeína em ratos.

Instituição de fomento: UnB



Palavras-chave:  Cafeína, Clorpromazina, Abstinência

E-mail para contato: antonio@unb.br