F. Ciências Sociais Aplicadas - 7. Demografia - 7. Demografia
EFEITOS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO E POPULACIONAL SOBRE O MEIO AMBIENTE
José Eustáquio Diniz Alves1 Bárbara Samartini Queiroz Alves2
1. Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE do IBGE 2. Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
INTRODUÇÃO:Em 1804, a população mundial atingiu um bilhão de pessoas. O impacto deste contingente de habitantes e as conseqüências iniciais da Primeira Revolução Industrial sobre o planeta não foram muito grandes. Em 1922, a população mundial atingiu dois bilhões de pessoas e as transformações econômicas provocadas pela Segunda Revolução Industrial começaram a transformar o mapa do mundo. Nas décadas seguintes, paralelamente à difusão do modo de produção e consumo industrial, o volume da população mundial cresceu mais quatro bilhões de habitantes, dobrando o estoque existente e atingindo mais de seis bilhões de pessoas no ano 2000. A divisão de população das Nações Unidas (ONU) projeta, pela variante média (da revisão de 2006), que a população mundial atingirá 9,2 bilhões de habitantes em 2050. Concomitantemente, o crescimento da economia mundial se deu em progressão ainda maior. Hoje em dia, não resta dúvida que as conseqüências da atividade econômica humana tiveram um efeito deletério sobre ambiente natural, provocando alterações significativas no clima e nas condições de vida do planeta. Ao mesmo tempo existem milhões de pessoas vivendo na miséria absoluta. Como então manter o crescimento econômico para reduzir a pobreza, mas sem prejudicar e danificar ainda mais o meio ambiente?METODOLOGIA:Neste trabalho, utilizamos o montante do PIB mundial como indicador do impacto das atividades humanas sobre o meio ambiente. Estimamos o crescimento do PIB mundial na primeira metade do século XXI, até 2050, a partir das projeções de população da ONU e das estimativas do crescimento da renda per capita mundial, feitas pelo economista Angus Maddison (2005), tanto para a média mundial, quanto para os países desenvolvidos e para os países em desenvolvimento. Comparamos estas estimativas com os dados do crescimento da renda per capita para o período de 2000 a 2006, fornecidas pelo FMI (2007), o que mostrou que as estimativas não estão incompatíveis com a realidade econômica. Com base nas estimativas de crescimento da renda per capita para o mundo e regiões, aplicamos estas taxas às três projeções de população da ONU para o mundo e regiões. Desta forma, pudemos comparar os diferentes cenários do crescimento do PIB para se ter um quadro futuro das dinâmicas econômica e demográfica. RESULTADOS:Nos três cenários estudados, o crescimento do PIB mundial em 2050 seria bastante expressivo em relação ao ano de 2000, sendo 14 vezes maior na variante alta de crescimento populacional, 12 vezes maior na variante média e 10 vezes maior na projeção baixa de crescimento da população. Nos três casos analisados, o maior crescimento ocorreria nos países em desenvolvimento devido à combinação de maior crescimento populacional e econômico. Os países desenvolvidos teriam um crescimento mais modesto do PIB devido ao menor crescimento da renda per capita e à redução do montante de população a partir de 2020. O lado positivo das projeções apresentadas adviria da redução das desigualdades internacionais, uma vez que os países hoje em desenvolvimento reduziriam as disparidades globais de renda. Poderia também haver uma redução da pobreza se estes ganhos de renda vierem acompanhados por redução das desigualdades internas em temos sociais e espaciais. CONCLUSÕES:Os impactos ambientais do efeito conjunto do crescimento da população e da economia (sintetizado no crescimento do PIB) poderiam ser desastrosos para a saúde do planeta Terra, se o modelo atual de desenvolvimento for predominante. A degradação ambiental poderia inclusive inviabilizar o crescimento econômico, reduzindo o volume de população, não pela diminuição da fecundidade, mas pela elevação das taxas de mortalidade. Portanto, para que haja melhoria das condições de vida da população e redução da pobreza é preciso que o crescimento econômico se dê de uma maneira sustentável, sem destruir o ambiente natural que é a fonte dos alimentos, da água, da energia, das matérias primas e da vida em geral. Devido à inércia demográfica, a população mundial vai continuar a crescer até 2050, qualquer que seja a variante de projeção populacional adotada da ONU. Mesmo que se chegue à projeção mais baixa, o crescimento da renda per capita necessário para retirar milhões de pessoas da pobreza terá um impacto enorme sobre o meio ambiente. O desafio pode ser minorado de duas maneiras: a primeira, com a transformação da sociedade de consumo de massa para a sociedade do conhecimento e, a segunda, com a continuidade da transição demográfica.
Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, População, Meio ambiente
E-mail para contato: jose.diniz@ibge.gov.br
|
|