60ª Reunião Anual da SBPC




D. Ciências da Saúde - 8. Fisioterapia e Terapia Ocupacional - 1. Fisioterapia e Terapia Ocupacional

CORRELAÇÃO ENTRE SOBREPESO, SEDENTARISMO E A INCIDÊNCIA DE DORT EM FUNCIONÁRIAS DA ÀREA DE ENFERMAGEM

Patricia Simon Carvalho1
Patricia Cantu Moreira Giordano1

1. Fisioterapia/UNIFEOB


INTRODUÇÃO:
A literatura tem demonstrado que os trabalhadores de enfermagem são um dos grupos ocupacionais mais afetados por algias e lesões ocupacionais, não existindo uma causa única e determinada para seu aparecimento. O sistema osteomuscular pode ser acometido por fatores individuais como sobrepeso e sedentarismo. O sobrepeso é definido como o peso corporal que excede o peso normal ou padrão de uma determinada pessoa. Consiste em uma doença multifatorial, sendo considerada fator de risco para o desenvolvimento de diversas doenças crônicas, visto que o excesso de peso acarreta sobrecarga mecânica para ossos e articulações. Por sedentarismo entende-se a falta ou a grande diminuição da prática de atividade física. O estilo de vida sedentário associado a outros fatores de risco, estão relacionados ao aparecimento de distúrbios osteomusculares que acometem os trabalhadores de enfermagem. Músculos fracos associados a trabalhos com grandes cargas, posturas inadequadas, repetitivas assumidas no dia a dia expõem as estruturas da coluna a agravos. Esta investigação teve como objetivo avaliar se fatores como sobrepeso e sedentarismo pode estar associado com a incidência de lesões músculo-esqueléticas.

METODOLOGIA:
Trata-se de uma pesquisa quantitativa, com levantamento de dados estatísticos, através de questionários estruturados, validados e traduzidos para língua portuguesa. Foram convidados a participar do estudo 120 profissionais de Enfermagem de uma Santa Casa, de uma cidade do interior de São Paulo, todos do sexo feminino exercendo a função de auxiliar ou técnico de enfermagem. Para a obtenção dos dados foi utilizado a aplicação de um Questionário de Dados Demográficos e Ocupacionais, para avaliar a dor, foi utilizado a Escala Visual Analógica de Dor (EVA), para avaliar os sintomas músculo-esqueléticos o Questionário Nórdico e para classificar o nível de atividade física o International Phisical Activity Questionnaire (IPAQ), na versão curta. Os dados relacionados a incidência de afstamentos de trabalho e/ou consultas médicas por problemas osteomusculares foram coletados do prontuário de cada funcionária em questão, junto aos arquivos do departamento médico. Os dados coletados foram encaminhados para um profissional de estatística para análise e sugestão do melhor método.

RESULTADOS:
Foram avaliados 70 profissionais auxiliares e técnicos de enfermagem, apresentando em média 61,3 horas semanais de trabalho e idade média de 35 anos. Destes, 40 (57%) responderam aos questionários, 2 (3%) se recusaram a responder, 6 (9%) estavam de férias e 22 (31%) estavam afastados por problemas de saúde, sendo que 5 (23%) por motivo de doenças musculares. Em relação ao cálculo do IMC, pode-se observar que 21 (52%) das funcionárias apresentaram peso normal, enquanto que apenas 2 (5%) apresentavam sobrepeso. Os resultado obtidos através da aplicação do Questionário Nórdico, demonstraram que as auxiliares de enfermagem relataram elevadas queixas de problemas músculo-esqueléticos em diversas regiões do corpo nos últimos 12 meses e nos últimos 7 dias, relevando a importância desse problema entre profissionais da área de enfermagem. De acordo com o IPAQ, 19 (47%) das funcionárias são muito ativas fisicamente e 13 (33%) foram consideradas sedentárias.

CONCLUSÕES:
Conclui-se que os índices de lesões músculo-esqueléticas devido ao processo de trabalho em auxiliares de enfermagem, demonstraram que esta é uma profissão exposta a fatores de risco, principalmente durante o levantamento e transferência de pacientes, permanência em posturas inadequadas, movimentos repetitivos, entre outros. É importante destacar que as unidades hospitalares apresentam problemas ergonômicos comuns e específicos, relacionados com problemas ambientais e organizacionais, tais como equipamentos inadequados, falta de equipamentos especiais para movimentar pacientes, falta de treinamento entre outros. Esses fatores constituem fatores de risco para o desenvolvimento de problemas músculo-esquléticos. A análise dos fatores demonstrou que a ocorrência de doenças músculo-esqueléticas pode estar relacionada a ter um segundo emprego e uma longa duração de carga horária semanal, principalmente quando associada a problemas ergonômicos, podendo levar a sérios riscos de invalidez por distúrbios osteomusculares. Espera-se que este estudo possa contribuir para o conhecimento do problema, apesar do fator sedentarismo e obesidade não terem sido confirmados, novos estudos devem ser realizados para que sejam mais detalhadamente estudados estes fatores.



Palavras-chave:  Sedentarismo, Sobrepeso, DORT

E-mail para contato: patysimoncarvalho@hotmail.com