60ª Reunião Anual da SBPC




C. Ciências Biológicas - 11. Morfologia - 3. Citologia e Biologia Celular

AVALIAÇÃO DA MUSCULATURA DORSAL E VENTRAL DO GUARU (POECILIA VIVIPARA BLOCHII & SCHENEIDER, 1801) EM CONDIÇÕES NORMAIS

Ana Paula Rezende dos Santos1
Simone Maria Teixeira de Sabóia Morais1
Joana Cristina Neves de Menezes Faria1

1. Departamento de Morfologia LCC/ICB/UFG


INTRODUÇÃO:
O conhecimento quantitativo da composição química dos músculos de peixes é suporte importante para estudos de ecotoxicidade, uma vez que muitos xenobióticos se acumulam neste tecido, e permitem a partir da ingestão destes animais por espécimes carnívoros, a possibilidade de contaminarem até o homem, considerando-se os efeitos cumulativos e as cadeias alimentares. Sendo assim, é de grande relevância conhecer a microestrutura do tecido muscular para se traçarem planos em atenção à toxicidade ambiental. Por isso, esta espécie tem sido utilizada como biomonitor de qualidade ambiental, pois altera o comportamento das células e tecidos de órgãos-alvo frente à ação de substâncias tóxicas lançadas no ambiente. Neste trabalho, o modelo biológico utilizado para o experimento foi o guaru (Poecilia vivipara) que se caracteriza como espécime larvófago, onívoro, eurialino, ou seja, responde e se adapta a variações de salinidade nos corpos d´água. Por terem alta taxa reprodutiva, e serem de fácil manutenção em laboratórios, é possível coletar quantitativos de tecidos suficientes para estudar a distribuição histológica das fibras musculares estriadas esqueléticas (FMEE) na musculatura dorsal e ventral do guaru e analisar respostas de fibras constituintes desses ao uso de métodos histoquímicos.

METODOLOGIA:
Foram utilizados seis exemplares do guaru, do sexo feminino e adultos, retirados dos tanques do biotério de manutenção de animais aquáticos do Laboratório de Comportamento Celular – ICB IV – UFG, originários de lojas de aquarismo de Goiânia-GO. Os mesmos foram sacrificados por hipotermia, eviscerados e tiveram sua musculatura total fixada em diferentes soluções: Paraformaldeído a 10%, tampão fosfato 0,1 M, pH 7,4 “over night”, Bouin, Carnoy, Zenker, e McDowell. Algumas peças foram incluídas em paraplast e seccionadas a 4µm; outras em historresina, e seccionadas a 2µm. Os cortes foram submetidos aos métodos histológicos: Hematoxilina e Eosina (HE), Azul de Toluidina + Floxina (AT+M), Azul de Metileno (AM) e Tricrômico de Masson (TM) a fim de ser observada a organização geral das fibras musculares. Para a análises histoquímicas foram realizados: PAS (ácido periódico Schiff), PAS+diastase, e Sudan Black B (SBB). Neste o material foi congelado e seccionado no criostato, com cortes de 10µm de espessura. A análise da tipagem muscular foi feita pela técnica Succinodesidrogenase (SDH) em pH 10,5, após pré-incubação ácida (pH 4,6). Todo este material foi analisado e registrado no fotomicroscópio de campo claro OLYMPUS CH30.

RESULTADOS:
Com o TM e HE observou-se a estrutura geral das FMEE, onde nas da região hipoaxial os miótomos possuiam menor adensamento do que na epiaxial. E estes apresentaram-se divididos por um septo de tecido conjuntivo denominado septo vertical, o qual forma um eixo divisor desde a região dorsal superior até a coluna vertebral. Na região dorsal superior haviam duas estruturas musculares denominadas supracarinalis. A coloração AT evidenciou as FMEE em um padrão de faixas transversais alternadas, coradas em tons azuis desde o claro até o mais escuro. O emprego do AM a 1% permitiu observar estruturas semelhantes as vistas com o uso do AT, mas entre os sarcômeros evidenciou-se uma fina faixa corada metacromaticamente. No AT+F as bandas A das miofibrilas apresentaram-se como espessas listas violetas, pelo padrão de metacromasia. E as bandas claras coradas em azul, com as bandas I atravessadas por linhas escuras denominadas linhas Z. As FMEE da região epiaxial apresentaram-se coradas mais intensamente ao PAS e com maior positividade ao SBB. No bloqueio pela diastase constatou-se que o conteúdo era glicogênio. Pela SDH pH 10,5 detectou-se células com citoplasma rico em enzimas mitocondriais principalmente na região dorsal.

CONCLUSÕES:
O padrão geral de organização das FMEE dos vertebrados, quando analisadas sob luz polarizada, mostra diferenças quanto à refringência. Sendo as faixas coradas em escuro birrefrigentes, denominadas anisotrópicas e correspondem à banda A, enquanto que as claras são isotrópicas e correspondem à banda I. Sendo notado esse perfil quando da utilização da coloração AT, AM e AT+F, indicando que as técnicas histológicas permitiram de forma eficaz a descrição da morfologia geral da estrutura muscular. As fibras musculares posicionadas na região epiaxial (dorsal) apresentaram maior positividade ao PAS e ao Sudan Black B, e não foram reativas ao SDH, podendo-se inferir que estas fibras possuem rápida contração e alta capacidade anaeróbica. Sendo classificadas como glicolíticas de rápida contração, ou brancas, com grande consumo de energia. Tal energia seria adquirida através do metabolismo do glicogênio que estas fibras contêm. A reatividade ao SDH é um indicativo de que essas células têm citoplasma rico em enzimas mitocondriais, sendo notáveis principalmente na região ventral (hipoaxial) do guaru, onde também é possível visualizar uma grande quantidade de mitocôndrias, podendo se sugerir que estas fibras possuem contração lenta, com alta capacidade oxidativa também denominadas vermelhas.

Instituição de fomento: FUNAPE, UFG, CNPq

Trabalho de Iniciação Científica

Palavras-chave:  Histoquímica, Musculatura, guaru

E-mail para contato: ana_p_bio@yahoo.com.br