62ª Reunião Anual da SBPC
A. Ciências Exatas e da Terra - 4. Química - 3. Química Analítica
INVESTIGAÇÃO DA PRESENÇA DE METAIS PESADOS EM CAJUS CULTIVADOS NA UFRN
Daniel Araújo Carvalho 1
Elisama Vieira dos Santos 1
Carlos Alberto Martinez Huitle 1
Márcia Lima da Silva 1
James Pyetro do Amaral Nogueira 1
Nedja Suely Fernandes 1
1. Depto. de Química, Universidade Federal do Rio Grande do Norte/ UFRN
INTRODUÇÃO:
O Anacardium Occidentale, mais conhecido como cajueiro é da família Anacardiaceae, sendo esta uma árvore originária do norte e nordeste do Brasil, com troncos tortuosos e relativamente baixos. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apresenta uma vasta plantação de cajueiros por toda a sua área e algumas dessas árvores encontram-se próximas aos laboratórios de ensino e pesquisa onde podem vir a sofrer contaminação pelo descarte indevido do efluente gerado no mesmo. O objetivo foi avaliar nos cajus e folhas de cajueiros da UFRN próximos ao departamento de Química a presença de metais pesados. Os resultados obtidos por Espectroscopia de Emissão Óptica com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES) comprovou que o caju é um fruto bastante rico em nutrientes, principalmente do mineral potássio. Porém também se observou a existência de alguns metais tóxicos principalmente o alumínio que é causador de câncer e outras doenças, onde a maior concentração deste metal foi verificada nos frutos da árvore do Departamento de Química da UFRN levando-se a pensar a respeito das causas desse elevado índice.
METODOLOGIA:
As amostras dos frutos de cajus maduros, cerca de três unidades por árvore foram previamente limpas, com papel toalha seco para retirada de resíduos não desejáveis como, areia, restos de folhas, poeira, etc. Para as análises, os frutos foram colocados em cápsulas de porcelana para secagem em estufa de circulação forçada de ar a uma temperatura de 105°C até massa constante. O mesmo foi feito com as folhas das árvores sendo estas secas a temperatura ambiente até total observação da desidratação. Após secas, as amostras de caju e das folhas foram trituradas em um moedor de facas de aço inoxidável, e pesou-se 500mg de cada amostra em cápsulas de porcelana para posteriormente serem incineradas a uma temperatura de 550°C por quatro horas. Em seguida as amostras foram dissolvidas em HCl a 10%, filtradas para balão volumétrico de 100 mL e o volume completado com água deionizada. Para a determinação do teor de metais utilizou-se um Espectrômetro de Emissão Óptica com Plasma Indutivamente Acoplado Modelo ICAP 6300 da Shimadzu, na qual é feita uma curva de calibração para cada tipo de metal analisado. Nessa análise, foram requeridos os seguintes elementos: sódio, cálcio, potássio, magnésio, ferro, alumínio, zinco, cromo, boro, manganês, cobre, cádmio, chumbo e níquel.
RESULTADOS:
Através dos resultados obtidos foi possível verificar que tanto nas folhas como nos frutos, o potássio apresentou uma maior concentração, confirmando o quanto ele é necessário na realização da fotossíntese; além deste o magnésio, sódio e cálcio também se fizeram presentes em concentrações bem elevadas. A presença de outros metais, considerados tóxicos foram encontrados, entre eles o níquel, cádmio e principalmente o alumínio que é considerado bastante tóxico, pois é o principal causador de doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Este metal por sua vez apresentou-se com um teor bastante elevado com uma média de 4,81mg/L , sendo desta forma considerado alto. Portanto, as presenças de metais tóxicos comprovam uma contaminação provavelmente do solo onde estas árvores se localizam.
CONCLUSÃO:
Os frutos e as folhas de alguns cajueiros localizados nas proximidades do Departamento de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte apresentam uma alta concentração de metais mesmo, aqueles que fazem parte do fruto por natureza como no caso do potássio, magnésio e ferro. Além destes, o mais preocupante foi à elevada concentração de alumínio, que é um contaminante bastante maléfico ao organismo. As causas desta contaminação podem ser as mais variadas, já que provavelmente os descartes dos efluentes laboratoriais não eram feitos adequadamente, sendo estes jogados diretamente nas pias dos laboratórios, o que levou a uma contaminação do solo onde estão localizadas as árvores por vazamentos e/ou tubulações danificadas.
Palavras-chave: Cajueiro, Metais pesados, ICP-OES.