62ª Reunião Anual da SBPC
D. Ciências da Saúde - 5. Farmácia - 6. Farmácia
TIPOS DE HEMÁCIAS DISMÓRFICAS: ACHADOS EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL
Igor Siqueira Melo 1
Fernanda Kaline Medeiros Fernandes 2
Flávia Evelyn Medeiros Fernandes 2
Gabriel Azevedo de Brito Damasceno 2
Ivonete Batista de Araújo 3
Tereza Neuma de Souza Brito 4
1. Farmacêutico graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN
2. Departamento de Farmácia - UFRN
3. Profa.Dra./Co-orientadora - Departamento de Farmácia - UFRN
4. Profa.Ms./Orientadora - Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas- UFRN
INTRODUÇÃO:

As hemácias apresentam populações de células diferentes na urina, caracterizando os principais tipos de dismorfismo eritrocitário: anulócitos (em forma de anel com membrana densa), acantócitos (células em anel com protrusões citoplasmáticas vesiculiformes), codócitos (em sino ou em aspecto de alvo). A presença de hemácias na urina pode anunciar enfermidades nefrológicas ou urológicas e sua investigação requer dentre outros exames detalhados alguns exames complementares adequados, sejam laboratoriais ou de imagem, evitando procedimentos agressivos, onerosos e muitas vezes desnecessários. A valorização de achados na sedimentoscopia urinária, principalmente aqueles baseados na morfologia das hemácias, ou seja, dismorfismo eritrocitário, utilizando a microscopia de contraste de fase, provê um melhor diagnóstico do local do sangramento, se glomerular ou não-glomerular. Considerando a importância do estudo de alterações da morfologia das hemácias como um indicador do local de sangramento em nível renal, o presente trabalho teve como objetivo observar a frequência dos tipos de hemácias dismórficas encontradas nos pacientes com indicação clínica de doença renal, atendidos no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e Hospital Pediátrico (HOSPED).

METODOLOGIA:

Foram analisados resultados de 170 sumários de urina com sedimentoscopia, no período de janeiro de 2007 a julho de 2009, que apresentaram dismorfismo eritrocitário na microscopia de contraste de fase, obtidos mediante pesquisa no banco de dados do Laboratório da Disciplina de Uroanálise, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Os resultados dos seguintes parâmetros foram catalogados: dismorfismo eritrocitário, hematúria na sedimentoscopia, presença ou ausência de cilindros hemáticos, idade dos pacientes, sexo e indicação clínica. Os dados utilizados neste estudo foram catalogados em planilha do Excel e, em seguida, submetidos à análise estatística no software Statistica 6.0.

RESULTADOS:

Os resultados mostraram que, em relação à população do estudo, houve uma prevalência do gênero feminino e que a média de idade dos pacientes analisados foi de 28,55 anos com um desvio padrão de 19,3 anos. A maior predominância de hematúria no gênero feminino pode estar relacionada com a significativa parcela de pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) atendidos no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), sendo essa uma doença que apresenta como um dos principais grupos de risco mulheres em idade reprodutiva. Cilindros hemáticos estavam presentes em 32% dos pacientes. Com relação às indicações clínicas, 35,88% dos pacientes analisados tinham nefrite lúpica, 28,82% tinham glomerulonefrite difusa aguda (GNDA), 24,12% tinham outras nefropatias e 11,18% tinham outras doenças. Em relação ao número de hemácias por campo foi observado uma média de 33,8 hemácias por campo. Já em relação às formas dismórficas, os acantócitos juntamente com os codócitos, apresentaram uma média de 16,24 por campo e os anulócitos 17,55 por campo. A análise da morfologia e do número de formas diferentes de hemácias na urina é importante para auxiliar na determinação do local da hemorragia renal.

CONCLUSÃO:

Tomando-se como base o estudo proposto, ficou evidenciada a importância da análise da morfologia e do número de formas diferentes de hemácias na urina, como uma forma de auxiliar na determinação do local da hematúria, pois o maior percentual das indicações clínicas dos pacientes foi de doenças com comprometimento glomerular. O estudo também mostrou, através da estatística descritiva dos resultados das hemácias dismórficas, um equilíbrio entre as formas observadas, que são importantes para o diagnóstico clínico do dismorfismo eritrocitário glomerular.

Embora vários autores já tenham tentado estipular valores de referência para a caracterização de hemorragia glomerular a partir do dismorfismo eritrocitário, uma padronização ainda não existe.

 

Palavras-chave: Dismorfismo eritrocitário, Hematúria, Acantócitos.