63ª Reunião Anual da SBPC
G. Ciências Humanas - 7. Educação - 12. Ensino de Ciências
ENSINO DE QUÍMICA NO CONTEXTO DA DEFICIÊNCIA VISUAL: SOBRE A FORMAÇÃO DOCENTE.
Karla Amâncio Pinto Field´s 1
Waleska Arcanjo 2
Warlandei Carlos Silva de Morais 3
Anna Maria Canavarro Benite 4
1. Doutoranda em Química, Universidade Federal de Goiás– LPEQI, IQ - UFG
2. Licenciando em Química, Universidade Estadual de Goiás– LPEQI, UnUCET – UEG
3. Licenciando em Química, Universidade Federal de Goiás– LPEQI, IQ - UFG
4. Profa Dra./ Orientadora, Universidade Federal de Goiás– LPEQI, IQ - UFG
INTRODUÇÃO:
O conhecimento químico permite que as pessoas tenham uma melhor compreensão dos diferentes fenômenos do quotidiano e uma maior consciência do mundo em que vivem. Este conhecimento permite que elas possam fazer escolhas mais acertadas. Por isso o deficiente visual (DV) não pode ser excluído desse conhecimento. A maioria dos procedimentos de ensino de química para alunos DV fundamenta-se em recursos visuais. Por outro lado, nas escolas de ensino regular já é crescente o número de matrículas de alunos que apresentam algum tipo de necessidade educativa, acesso que lhes é assegurado pela Lei 9.394/96. Essas situações evidenciam a necessidade de discutir e construir com os futuros professores, estratégias de ensino que lhes permitam receberem na sala de aula esse alunado de forma qualificada. De acordo com a Resolução nº2 de 11/9/2001, o professor da classe regular deve ser capacitado para o atendimento das necessidades especiais dos alunos. Considera-se capacitado aquele que durante a sua formação inicial recebeu algum conteúdo sobre educação inclusiva. Este trabalho tem como objetivo identificar, por meio das narrativas dos futuros docentes, os dilemas em relação ao ensino de química para a deficiência visual.
METODOLOGIA:
Na realização desta investigação os pesquisadores e os sujeitos da pesquisa estiveram do mesmo lado, tornando-se o pesquisador um membro do grupo de modo a vivenciar o que estes vivenciam e trabalhar dentro do sistema de referência destes (Lakatos e Marconi, 2003). Este trabalho caracteriza-se como uma investigação qualitativa orientada por um caráter quase-experimental. Chamamos de quase-experimental, pois não temos como controlar as variáveis. Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram o diário reflexivo. Esta investigação foi realizada no Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (CEBRAV) de Goiânia (GO). Os sujeitos da pesquisa foram dois graduandos em Licenciatura em Química (G1, G2), que foram convidados a narrar suas impressões e expectativas sobre a sua ação docente em diários de aula. Os diários produzidos foram analisados pela técnica de análise de conteúdos e apresentamos aqui um recorte desta produção.
RESULTADOS:
Inicialmente os licenciando haviam preparado uma aula sobre a evolução dos modelos atômicos. Este tema foi escolhido com base no relato da professora de apoio da aluna DV, no qual esta relatou que não compreendia os conteúdos vistos na primeira série do ensino médio. Na primeira aula com a aluna DV os alunos da IC tiveram uma surpresa, pois a aluna DV esperava que estes ensinassem conteúdos sobre soluções, como pode ser percebido no relato de G2.
G2:Quando eu cheguei para dar a primeira para a aluna DV, percebi que ela possui baixa visão, ou seja, metade do plano de aula foi por água abaixo... Depois a aluna me mostrou uma lista de exercício sobre soluções, a qual tinha que ser entregue uma semana após aquela data.
Inicialmente foi preparada uma aula na qual a aluna DV não tinha interesse, ela queria que os alunos IC ajudassem-na a resolver a lista de exercícios. Mas os alunos de IC não possuía naquele instante recursos necessários para fazer a transposição didática do conteúdo, além da aula DV não ter conhecimentos prévios necessários para este assunto.
IC2: Eu tenho conhecimento sobre o conteúdo, mas não tinha levado nenhum recurso que atendesse a expectativa da aluna DV. Tentei falar sobre soluções pedindo à aluna que descrevesse como ela prepararia um suco...
CONCLUSÃO:
Durante a formação de professores deve-se criar oportunidade para que os alunos vivenciem experiências com essa nova demanda das escolas regulares de ensino. Pois é neste espaço que a construção da identidade profissional começa a se estruturar. Desde modo é necessário oferecer e disponibilizar oportunidades para que os futuros professores se apropriem de conhecimentos, habilidades e valores necessários à profissão, que eles construam seus saberes docentes relacionados a inclusão a partir das necessidades e desafios de sua prática pedagógica. Os futuros professores de química precisam de oportunidades para pensar como a inclusão escolar afeta sua prática profissional cotidiana.
Nos relatos acima percebemos que não basta que o aluno tenha conhecimento sobre o conteúdo é necessário fazer um planejamento que possibilite a transposição didática. Isso mostra a importância do contato do futuro professor com as necessidades dos alunos.
Palavras-chave: química, deficiência visual, formação docente..