64ª Reunião Anual da SBPC
G. Ciências Humanas - 7. Educação - 4. Educação Básica
AUTONOMIA, EDUCAÇÃO FÍSICA E CONHECIMENTO
Renato Sarti dos Santos 1,2
Luiz Felipe de Oliveira Cavalcanti 1
Pedro Soares de Andrade da Costa 1,3
1. Coordenação de Extensão EEFD/UFRJ
2. Professor de Educação Básica da Rede Municipal de Duque de Caxias
3. Professor de Educação Básica do Centro Educacional Anísio Teixeira
INTRODUÇÃO:
O Ensino Médio é uma etapa da Educação Básica, que tem no desenvolvimento da autonomia do educando uma grande orientação. O presente trabalho busca a apresentação de uma experiência metodológica construída em duas escolas estaduais de ensino noturno com a disciplina Educação Física, baseada na valorização da autonomia do educando e da construção de conhecimento.
A Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, em seu artigo 35, destaca as finalidades do ensino médio, onde é dedicado um inciso para “... a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”. A matriz educacional atual tem valorizado o trabalho mais focado na transmissão de conhecimento, externado seu compromisso com o desempenho em exames externos a unidade escolar (ENEM, vestibulares, etc), ignorando a responsabilidade de segmento final da Educação Básica em promover espaços de desenvolvimento do pensamento autônomo e crítico. Como incluir a autonomia no debate metodológico no ensino de Educação Física no ensino noturno? Ainda, parece um questionamento latente na área.
METODOLOGIA:
A Educação Física no ensino noturno é o tema que dá contornos a experiência pedagógica em tela, destacando as características específicas dos atores que constroem a dinâmica do trabalho no turno da noite. As duas instituições de ensino, tratadas neste estudo, têm em comum: localização, horário de funcionamento e segmento da Educação Básica.
A equipe pedagógica é composta por cinco licenciandos de Educação Física da UFRJ e o professor da escola. Cabe aos membros do grupo pedagógico a condução da disciplina Educação Física em uma perspectiva mais crítica, buscando a formação de grupos de trabalho definidos por temas geradores, onde os alunos do ensino médio têm a possibilidade de aderir aos grupos por interesse. Sendo assim, o afastamento do conceito de aula expositiva como espinha dorsal do ensino da disciplina delineou uma nova opção metodológica.
RESULTADOS:
O início dos trabalhos foi marcado pela discussão sobre a legislação educacional atual, as finalidades do ensino médio e os parâmetros curriculares nacionais, levantando questões sobre as características valorizadas nestes documentos. A autonomia, formação cidadã e o pensamento crítico, apareceram com grande força no corpo da lei, entretanto, as escolas em tela ainda têm em suas estruturas predominância de arestas tradicionais.
Com desafio de ingressar nas duas instituições de ensino, caminhamos para uma etapa de ambientação. Os licenciandos entraram no espaço escolar com o objetivo de conhecer as relações e conflitos entre os atores. Com este passo vencido, seguimos na construção da experiência metodológica pautada no desenvolvimento da autonomia.
Na etapa inicial, de entrada na instituição de ensino, a observação das aulas, a vivência do ambiente escolar e a pesquisa descritiva foram as ferramentas fundamentais para uma aproximação da realidade, a leitura das relações estabelecidas no dia a dia da escola. Em seguida, os eixos temáticos foram definidos, consideradas as informações na etapa de ambientação e diálogo inicial, sendo sucedida pela formação dos grupos de trabalho responsáveis pelo desenvolvimento de seus respectivos eixos.
CONCLUSÃO:
Ressaltamos que a experiência relatada neste trabalho segue em pleno desenvolvimento de suas ações, entrando em seu segundo ano de trabalho. Todavia, alguns resultados prévios devem marcar presença neste trabalho. As escolas A e B se diferenciaram no que tange a recepção da proposta do projeto. Na escola “A”, o primeiro momento foi marcado por indicativos que delineavam algumas dificuldades para a implantação metodológica planejada. Com uma estrutura de planejamento anual toda definida, o docente da escola “A” ignorou a proposta pautada na autonomia, seguindo seu plano de trabalho e seus referenciais metodológicos, reduzindo significativamente o raio de ação do grupo de licenciandos. Já na escola “B”, o projeto encontrou um espaço muito receptivo para implantação do empreendimento metodológico. A professora da unidade escolar abriu o caminho para proposta, indicando alguns atalhos para o desenvolvimento. Entretanto, a estrutura escolar se mostrou muito hostil ao trabalho pedagógico de seus docentes, inclusive ao presente trabalho relatado, destacando o número largo de dias com aulas interrompidas por motivos desconhecidos, esvaziando inúmeras vezes as aulas da disciplina em tela. Logo, as construções metodológicas se apresentaram extremamente dependentes da estrutura escolar.
Palavras-chave: Educação Física, Ensino noturno, Autonomia.