| 64ª Reunião Anual da SBPC |
| G. Ciências Humanas - 1. Antropologia - 1. Antropologia da Religião |
| TAMBOR DE CRIOULA DE SÃO LUÍS: UMA BATIDA DE RESISTÊNCIA |
| Bárbara Ruth Silva Barbosa 1 Claudia Cristina Pereira Mendes 1 Tarantini Pereira Freire 1 |
| 1. Prof. Ms. João Batista Pacheco/Orientador - Depto de Geociencias - UFMA¹ |
| INTRODUÇÃO: |
| Este trabalho apresenta uma breve investigação a respeito das raízes religiosas dos Tambores de Crioula nos cultos à São Benedito na Ilha do Maranhão. Observando os discursos da Igreja Católica e a dos donos Terreiros de tambor trazendo algumas considerações sobre o caráter ritualístico desta manifestação cultural expressada através dos usos e costumes de origem africana disseminados no Brasil, manifestações estas permeadas em solo ludovicense. O Tambor de Crioula é uma tradicional “brincadeira” popular de cunho religioso encontrada no Maranhão que no transcorrer do tempo percorreu caminhos bastante tortuosos. As perseguições sofridas pelos praticantes desse ritual eram constantes a época da escravidão sendo severamente combatida pela sociedade civilizadora que constrói uma imagem de ritual ligado a prática de perversão, luxúria e, sobretudo ligado ao que eles denominavam como “macumba”. Temos por finalidade aqui nos desfazer destes olhares estigmatizantes historicamente construídos e apreciarmos mais um das ricas manifestações culturais maranhense observando a necessidade de um resgate do cunho “espiritual” desta atividade reproduzida de forma massificada por e para a sociedade de consumo de modo a abandonar suas especificidades e desvalorizar suas funções primeiras. |
| METODOLOGIA: |
| O presente trabalho foi desenvolvido mediante a revisão bibliográfica dos principais trabalhos a cerca do tema, assim como visitas as sedes dos tambores de Crioulas de Catarina Mina e da Praia Grande entrevistando seus responsáveis, como também aos fiéis que participam direta e indiretamente dos rituais de pagamento de promessa à São Benedito. Nas entrevistas utilizamos a captação de som e imagem em vídeo e fotografia dos rituais do Tambor de Crioula analisando o ritual e as práticas de fé. |
| RESULTADOS: |
| A instituição religiosa católica e a sociedade escravocrata maranhense do século XIX muito contribuíram para a marginalização de determinados ritos religiosos de matriz africana, mesmo sincreticamente ligada à religião católica. De maneira que comportavam uma visão carregada de preconceitos de cunho racial e social já que seus adeptos eram negros, pobres “vivendo a mercê de toda sorte de malogros”. Em linhas gerais pode-se afirmar que o Tambor de Crioula enquanto uma das formas de resistência ao sistema escravista ainda permanece sendo visto como algo ligado a negros (escravos sem regime de escravidão) e por isso ainda há muito preconceito em torno desta manifestação onde até mesma uma maioria negra renega ou mesmo desconhece como parte de seu legado ancestral propiciando o abandono do próprio referencial cultural. |
| CONCLUSÃO: |
| Através da pesquisa podemos notar que apesar da divulgação turística e do reconhecimento por parte da UNESCO como patrimônio imaterial nacional a maioria da população continua a ver o Tambor de Crioula como uma prática não-cristã ligada ao ocultismo por vezes, sendo chamada de macumba pelos que ignoram sua expressão cultural. Por fim, foi possível observar um distanciamento entre a religião católica e as religiões africanas ou afro-brasileiras justificada pelo preconceito em conceber ambas sobre a mesma veracidade, ou seja, a busca de um mesmo Deus. |
| Palavras-chave: Religião, Tambor de Crioula, Resistência. |