64ª Reunião Anual da SBPC
E. Ciências Agrárias - 1. Agronomia - 3. Fitossanidade
AVALIAÇÃO DO CONSUMO FOLIAR DE Ascia monuste orseis, SOBRE A COUVE (Brassica oleraceae var. acephala) EM LABORATÓRIO
Catiane das Chagas LIMA 1
Telma Fátima Coelho batista 2
Mayara Pimentel FIGUEIREDO 3
Jeane Deyse Veloso dos SANTOS 3
Ernando da Silva MONTEIRO 3
1. Graduanda de Agronomia Bolsista PIBIC-FAPESPA/ UFRA
2. Profa. Dra. Orientadora-Laboratório de Entomologia, ICA/Universidade Federal Rural da Amazônia
3. Acadêmico do curso de Agronomia-UFRA
INTRODUÇÃO:
Ascia monuste orseis é conhecida como a lagarta curuquerê da couve, pois provoca grandes desfolhamentos na cultura da mesma, hortaliça importante para a alimentação humana, pois é rica em diferentes nutrientes, entretanto, apesar de muitos trabalhos sobre a sua biologia não existem trabalhos de consumo foliar desta praga. Este trabalho teve como objetivo avaliar o consumo foliar desta lagarta, pois assim poderemos ter ideia de quanto esta praga consome durante sua fase larval e podermos posteriormente estimar numa população quanto será o dano a ser causado numa área comercial de hortaliça. As brássicas são atacadas por Ascia monuste orseis e segundo Gallo et al. (2002) os efeitos mais importantes resultantes das desfolhas provocadas pela praga podem ser mortalidade, diminuição de crescimento, aumento no período de rotação e aumento na suscetibilidade aos ataques de insetos e doenças secundárias. A falta de conhecimento do quanto da produção é perdida pela desfolhas produzidas pelas pragas Ascia monuste orseis não possibilita ao agricultor a informação de quando se deve realizar o controle, chegando às vezes a desacreditar que a ação dos insetos possa acarretar algum dano significativo, pelo fato das populações não se encontrarem em níveis alarmantes
METODOLOGIA:
Os insetos foram criados no Laboratório de Entomologia da UFRA. Sendo as lagartas acondicionadas em frascos plásticos de boca larga e alimentadas com folhas de couve, os adultos são colocados em gaiolas teladas de 1x1x1m e alimentados com mel Karo a 20%. O experimento foi realizado com 40 lagartas recém-eclodidas, onde as mesmas foram separadas individualmente em placas de petri. As mudanças de instares eram observadas todas as vezes que elas trocavam a cápsula cefálica ou através do exoesqueleto larval. Folhas de couve foram ofertadas na seguinte proporção: lagartas de 1º ínstar receberam folhas de couve com tamanho de 1cm2, do 2º instar 4 cm2, 3º ínstar 9 cm2, 4º instar 16 cm2 e 5º instar 25 cm2. Foi avaliado o consumo total para cada ínstar e o índice de digestibilidade. As folhas foram mensuradas diariamente em cm2 após 24 horas do consumo feito pelas lagartas, através de um scanner portátil de mesa, aparelho medidor de área foliar, digital, fabricado pela ADC Biocientific Ltd. Modelo AM 300. Os resultados das médias mensuradas foram analisados pelo programa ASSISTAT Beta 7.6, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
RESULTADOS:
Os resultados demonstraram que houve diferença estatística significativa no consumo foliar em todos os diferentes ínstares, sendo que o 1ºínstar como as lagartas recém eclodidas são muito pequenas, medindo em média 0,5cm, o consumo foliar médio foi de 0,28cm2 de uma área de 1cm2 oferecido, ou seja, as lagartas do primeiro instar comeram apenas 30% do que foi ofertado, às vezes limitando-se a raspar as folhas sem perfurá-las, já no 2ºínstar inicia-se o processo de remoção foliar propriamente dito, com consumo médio de 10,7cm2 de uma área foliar de 12cm2 oferecido, este resultado evidencia que no segundo instar a lagarta passa 3 dias e se alimenta praticamente 11 vezes a mais que o primeiro. As lagartas do 3ºínstar o consumo médio foi de 16,8cm2, o 4ºínstar consumiu 24,6cm2 e no 5ºínstar como a lagarta está se preparando para entrar na fase de pupa ou crisálida o consumo foliar se intensifica ainda mais e atingiu consumo médio de 98,4cm2, neste período ela precisa se alimentar bastante, pois necessita de armazenamento de energia para ser utilizado durante 15 a 20 dias, período em que ficará de repouso, pois todos os tecidos larvais serão degenerados e darão simultaneamente origem aos novos tecidos do futuro inseto adulto, que nesta espécie é uma borboleta.
CONCLUSÃO:
Conclui-se que a lagarta da couve é uma praga importante na cultura da couve, ocasionando danos diretos, podendo causar grandes desfolhamentos em áreas comerciais levando o agricultor a ter sérios prejuízos econômicos, pois consome em todo o ciclo larval média de 150.97cm2.
Palavras-chave: desfolhamento, hortaliça, lagarta da couve.