66ª Reunião Anual da SBPC
Resumo aceito para apresentação na 66ª Reunião Anual da SBPC pela(o):
SBPC - SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA
G. Ciências Humanas - 4. Geografia - 2. Geografia Humana
GESTÃO INSTITUCIONAL DO PÓLO DE TURISMO COSTA DOS CORAIS NO MUNICÍPIO DE MACEIÓ
André Camilo da Silva - Instituto de Geografia Desenvolvimento e Meio Ambiente - UFAL
Lindemberg Medeiros de Araujo - Orientador / Instituto de Geografia Desenvolvimento e Meio Ambiente - UFAL
INTRODUÇÃO:
É bastante dinâmico e complexo o fenômeno do turismo na contemporaneidade, produzindo implicações em diferentes campos. Este é um dos setores mais globalizados da economia mundial e tem ordenado e reordenado territórios. Pelo fato de produzir tantas implicações territoriais, convém verificar as relações de poder e o papel do poder público no que tange às ações e medidas que precisam ser tomadas, no âmbito dos órgãos, para evitar problemas ambientais, sociais, culturais, enfim. Nesse contexto, emerge também a importância do planejamento da atividade turística a fim de minimizar ou erradicar os impactos negativos. Na zona costeira nordestina temos assistido a uma rápida expansão das atividades turísticas, o que inclui um processo de internacionalização. Para fins de estudos mais aprofundados, escolheu-se um dos onze municípios do Polo de Turismo Costa dos Corais, situado no litoral norte de Alagoas, construindo análises a respeito da apropriação do território pelo turismo, as dinâmicas produzidas pelos seus agentes, a lógica da internacionalização e a atuação do poder público. Trata-se do município de Maceió, capital de Alagoas, que foi o alvo do presente trabalho.
OBJETIVO DO TRABALHO:
Estudar como é realizada a gestão institucional do Polo de Turismo Costa dos Corais no município de Maceió, buscando compreender a apropriação e a reorganização do território após o início da internacionalização da região. Outro grande objetivo é dispor um trabalho que sirva aos órgãos de planejamento, visando minimizar os impactos negativos da atividade turística na região.
MÉTODOS:
Em um primeiro momento do trabalho foram adotados os seguintes procedimentos metodológicos: reuniões realizadas no Laboratório de Turismo, Território e Desenvolvimento – LTTD, localizado no Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente – IGDEMA, na Universidade Federal de Alagoas – UFAL, com o Coordenador e outros membros do Projeto, com a intenção de planejar e organizar as atividades; levantamento bibliográfico, a fim de consultar a literatura que debate as seguintes linhas: território, turismo, planejamento, políticas públicas e o papel do poder público; consultas a sítios de órgãos federais, estaduais e municipais, secretarias e relatórios do Ministério do Turismo, além dos registros de trabalhos de anos anteriores do LTTD e da análise de mapas digitais. Em um segundo momento inseriu-se a parte prática do trabalho: pesquisa de campo, com a aplicação de entrevistas à comunidade, administradores de pousadas, barracas e hotéis, para investigar e analisar a relação destes com o poder público; foram utilizadas imagens do Google Earth para visualizar a apropriação do território pelos empreendimentos e a ocupação do espaço; estudo da legislação pertinente e consulta a agentes públicos da Secretaria Municipal de Promoção do Turismo de Maceió.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Os resultados foram organizados em três eixos: potencial turístico de Maceió, efeitos da atividade turística em Maceió, análise da gestão do turismo no município. No que diz respeito ao primeiro, constatou-se que Maceió é um destino indutor do desenvolvimento turístico, considerado capaz de atrair e/ou distribuir significativo número de turistas para seu entorno e dinamizar a economia do território em que se insere; no entanto, isso denota o avanço de forma espontânea e desencadeado pelas potencialidades naturais, uma vez que grande parte das atividades está ligada às praias. No segundo eixo, evidenciou-se efeitos tanto positivos quando negativos, entre os quais cabe mencionar: geração de emprego e renda para a comunidade receptora, com a instalação de hotéis e restaurantes; dinamização da economia com os chamados multiplicadores em turismo, ou seja, aquelas atividades que crescem impulsionadas pelo turismo; construção de grandes empreendimentos estrangeiros que impactam o meio ambiente e invadem Terrenos de Marinha, limitando o acesso das pessoas às praias, isso se configura como uma lógica perversa; e choques culturais trazidos pela internacionalização turística da região. No terceiro eixo, convém salientar que a gestão do turismo precisa ser organizada e bem planejada e que, no caso de Maceió, há problemas sérios com a infraestrutura básica, uma vez que tais serviços (como hospitais, rodovias, sinalização, saneamento) não são de qualidade nem para os turistas nem para os residentes, isso retrai o desenvolvimento social e do turismo. Percebeu-se dois modelos de gestão durante o desenvolvimento do trabalho: a primeira mais fechada à Secretaria de Turismo do Município, com um trabalho mais restrito; a segunda mais articulada aos outros órgãos do município, como as secretarias de educação, comunicação, cultura. Isso se justifica porque a presente pesquisa acompanhou a transição de um gestor municipal para outro.
CONCLUSÕES:
Faz-se necessário pontuar algumas conclusões: a primeira delas, comprovada na pesquisa, é a de que o turismo organiza e reorganiza territórios, inserindo-nos numa lógica de transformação e adequação aos sujeitos e objetos da atividade turística. Outra conclusão, pautada nas discussões de turismo e poder público, concerne ao fato de que as relações entre essas duas instâncias serão aprimoradas quando de fato se assumirem as funções referentes a cada uma das partes. Há, nesse contexto, uma grande responsabilidade que a lógica das atividades turísticas direciona ao poder público: a efetivação de políticas públicas, desde os serviços mais básicos, como um fator que é de suma importância para o desenvolvimento do setor turístico, podendo assim trazer benefícios aos envolvidos. O planejamento é essencial e, para que sejam minimizados os impactos negativos do turismo, é preciso que todos os sujeitos envolvidos (turistas, comunidade receptora, empresas) sejam ouvidos.
Palavras-chave: Políticas Públicas, Polos de Turismo, Turismo.