66ª Reunião Anual da SBPC
Resumo aceito para apresentação na 66ª Reunião Anual da SBPC pela(o):
SBPC - SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA
F. Ciências Sociais Aplicadas - 11. Educação Física e Esportes - 1. Educação Física e Esportes
O HEMISFÉRIO ACOMETIDO PELO AVCi CAUSA SEQUELA MOTORA DISTINTA?
Helio Mamoru Yoshida - Universidade Estadual de Campinas
Fabricio Oliveira Lima - Universidade Estadual de Campinas
Li Li Min - Universidade Estadual de Campinas
Paula Teixeira Fernandes - Universidade Estadual de Campinas
INTRODUÇÃO:
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Doença Cerebrovascular (DCV) pode ser caracterizado por alterações em regiões cerebrais, nas quais um ou mais vasos estão envolvidos em um processo patológico, podendo ser transitório ou definitivo. Atualmente, 15 milhoes de pessoas sofrem seu primeiro AVC. Destes, 5 milhões morrem e 5 milhões permanecem com alguma incapacidade.
O AVC isquêmico (AVCi) representa 80% dos casos de AVC e é uma insuficiência sanguínea cerebral temporária ou permanente, decorrente de uma oclusão arterial trombótica ou embólica, causando lesão celular e danos neurológicos.
Lesões nos diferentes locais do cérebro causam distintas sequelas, sinais e sintomas. Uma das sequelas mais comuns é o comprometimento motor, presente em mais de 50% dos pacientes pós-AVC. Vale ressaltar que a habilidade motora é um dos fatores mais importantes para executar as atividades de vida diária, influenciando diretamente na qualidade de vida dos pacientes.
OBJETIVO DO TRABALHO:
Verificar o nível da habilidade motora dos pacientes acometidos pelo AVCi, de acordo com a localização da lesão nos diferentes hemisférios.
MÉTODOS:
Sujeitos: Foram avaliados 126 sujeitos com idade entre 18 e 80 anos, ambos os sexos, diagnosticados com AVCi único.
Material: Para esse estudo utilizamos os seguintes materiais.
• Ficha de identificação contendo informações como, nome, gênero e idade.
• Protocolo de Desempenho Motor Fugl-Meyer, para avaliação da habilidade motora em Membro Superior (MS, máximo de 66), Membro Inferior (MI, máximo de 34),Sensibilidade (SE, máximo de 24) e Equilíbrio (EQ, máximo de 14).
• Ressonância Magnética 3.0 T Philips Achieva para identificação da lateralidade da lesão.
Metodologia:Os sujeitos dessa pesquisa fazem parte do Ambulatório de Neurovascular – HC/UNICAMP. Primeiro, eles realizaram uma entrevista prévia para coletar de informações iniciais, e em seguida realizaram o exame de ressonância magnética para verificar o hemisfério acometido pelo AVC. Posteriormente, todos eles responderam ao protocolo de desempenho motor.
Local: Os sujeitos foram avaliados no Laboratório de Neuroimagem do Hospital das Clínicas, Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP.
Estatística: Os sujeitos foram divididos em dois grupos: HD para Pacientes acometidos pelo AVC no Hemisfério Direito e HE para Pacientes acometidos Hemisfério Esquerdo. Foi verificado a diferença entre grupo através da análise de variância
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Foram avaliados 126 sujeitos com idade média de 60 (±14) anos, 57,10% do sexo masculino, 46,80% acometidos pelo AVCi no hemisfério direito e o tempo médio pós AVCi foi de 20 meses (±36).
Os pacientes apresentaram as seguintes habilidades motoras:
MS (66) = 55,48 (±17,40);
MI (34) = 29,65 (±7,22);
MS + MI (100) = 85,13 (±23,26);
EQ (14) = 10,92 (±3,59);
SEN (24) = 22,09 (±4,43);
TOTAL (138) = 118,14 (±28,70).
O grupo HD, com 59 pacientes, apresentou os seguintes resultados:
MS (66) = 56,50 (±16,50)
MI (34) = 29,91 (±6,97)
MS + MI (100) =86,42 (±22,44)
EQ (14) = 10,72 (±3,73)
SEN (24) = 22,16 (±4,35)
TOTAL (138) =119,32 (±28,59)
O grupo HE, com 67 pacientes, apresentou:
MS (66) = 54,56 (±18,22);
MI (34) = 29,41 (±7,48);
MS + MI (100) = 83,98 (± 24,06);
EQ (14) = 11,08 (±3,48);
SEN (24) = 22,02 (±4,54);
TOTAL (138) = 117,10 (± 28,96);
Os dados mostraram que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos.
CONCLUSÕES:
Este estudo evidenciou que quando comparamos pacientes acometidos pelo AVCi nos diferentes hemisférios, parece não existir diferenças estatisticamente significativas. Contudo, vale ressaltar que os pacientes do grupo HD tiveram uma melhor habilidade motora nos MS, MI e SEN. Apenas o EQ mostrou-se maior nos pacientes acometidos no HE. Assim, percebemos haver uma tendência de pacientes acometidos pelo AVCi no hemisfério direito ter uma melhor habilidade motora.
Assim, nos fez refletir sobre algumas hipóteses: (1) O estudo verificou apenas a lateralidade da lesão, mas não foi mensurado o tamanho da lesão pelo AVCi; portanto, um próximo passo seria verificar o tamanho da lesão e relacionar com a lateralidade da lesão. (2) durante a coleta de dados foi possível verificar que a habilidade motora influencia outras sequelas do AVCi, como por exemplo sintomas depressivos. Portanto, também apontamos para futuros estudos que relacionem a habilidade motora com aspectos psicológicos.
Palavras-chave: AVCi, Habilidade Motora, Hemisfério Cerebral.