66ª Reunião Anual da SBPC
Resumo aceito para apresentação na 66ª Reunião Anual da SBPC pela(o):
SBPC - SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA
A. Ciências Exatas e da Terra - 6. Geociências - 4. Geografia Física
MAPEAMENTO DA REDE HIDROGRÁFICA E ANÁLISE MORFOMÉTRICA DA BACIA DO RIO TIJUÍPE: SUBSÍDIOS AO MAPEAMENTO GEOMORFOLÓGICO – AMBIENTAL DO LITORAL DE ITACARÉ (BA).
Pedro Enrico Salamim Fonseca Spanghero - Autor / Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
Paulo Fernando Meliani - Orientador / Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
INTRODUÇÃO:
As cidades de Itacaré, Uruçuca e Ilhéus onde está situada a bacia do Tijuípe localizam-se na zona “cacaueira” da Bahia, pertencendo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE,1990) a Microrregião de Ilhéus-Itabuna. A bacia é formada por alguns remanescentes da Mata Atlântica, explorado pelo seu valor paisagístico e ecológico, a bacia do Tijuípe assume destacada importância ambiental e social, por se encontrar parte da bacia dentro do Parque Estadual da Serra do Condurú e por ser responsável pelo abastecimento de água dos pequenos agricultores da região.
A rede hidrográfica do rio Tijuípe é um sistema hidrográfico onde ocorre a interação de resquícios da Mata Atlântica e ambientem rurais que desmataram a floresta para a agricultura, atualmente o eco-turismo se desenvolve fortemente na região, devido às belas paisagens, cachoeiras e pela exuberante fauna e flora.
O sistema de drenagem é composto por vários pequenos. A área da bacia é bastante significativa em superfície, sendo uma das maiores bacias da região e a sua importância ecológica é a manutenção de fragmentos de Mata Atlântica e áreas destinadas à preservação ambiental.
OBJETIVO DO TRABALHO:
Mapear a rede hidrográfica da bacia do rio Tijuípe por meio de sensoriamento remoto e pesquisas de campo, bem como analisar o sistema fluvial da bacia a partir da identificação das características morfométricas da rede hidrográfica, da superfície (área) e da topografia (altimetria).
MÉTODOS:
A rede hidrográfica da bacia do rio Tijuípe foi identificada e mapeada por meio dos procedimentos de (1) análise cartográfica, (2) fotointerpretação, (3) sensoriamento remoto (imagens orbitais) e (4) restituição da rede hidrográfica. No primeiro momento, foram analisado as bases topográficas de “Itacaré (SD.24–Z.A.I)” e “Uruçuca (SD.24–Y.B.III)”, elaboradas pela SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), em 1977, em escala 1: 100.000.
Após o mapeamento definitivo da hidrografia, a bacia do Tijuípe foi delimitada por meio da identificação dos divisores d’água que circundam a rede hidrográfica, representados nas cartas topográficas pelos pontos cotados e pelas curvas de nível de maior altitude. O mapeamento da rede hidrográfica e do divisor de água foi controlado por meio de fotointerpretação, pesquisas de campo e/ou outras bases vetoriais disponíveis.
A analise morfométrica foi realizada a partir dos dados “lineares” que possibilitaram obtenção de algumas características do sistema hidrográfico e do relevo da bacia, como a área e a forma da bacia, a hierarquia fluvial e a extensão dos canais, a densidade hidrográfica, a densidade e o padrão de drenagem, características físicas relevantes ao estudo ambiental.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
A bacia do rio Tijuípe possui uma área de 115,93 km2 drenada por uma rede hidrográfica composta por 106 cursos d’água, que totalizam 170,42 quilômetros de canais fluviais. Desta rede hidrográfica, 22 cursos d’água são afluentes diretos do rio Tijuípe, ou seja, 20% dos 106 canais que a compõem. Portanto, a maioria dos cursos d’água da bacia do Tijuípe é constituída de subafluentes e formadores, que interligados por meio de confluências, configuram uma ramificada rede hidrográfica. A densidade hidrográfica da bacia do Tijuípe é de 0,91 km2, que é uma medida relacionada com a quantidades de canais com o tamanho da bacia, esse dado é importante para compreendermos a importância da bacia do Tijuípe. Já a densidade de drenagem que correlaciona o comprimento total dos canais com a área da bacia hidrográfica, o valor é de 1,47 km2 que representa uma significativa densidade de drenagem.
A altitude máxima da Bacia do Tijuípe é de 420,77 metros e a altitude mínima se encontra no nível do mar.
A ordenação dos cursos d’água, voltada à identificação da hierarquia fluvial, permitiu a identificação de canais de diferentes ordens e o reconhecimento do grau de ramificação das redes hidrográficas. A rede hidrográfica da bacia do rio Tijuípe possui uma hierarquia de 4ª ordem, segundo a metodologia de Strahler (1952).
O índice de circularidade indica que a forma da bacia pouco se assemelha a de um círculo. A bacia do rio Tijuípe tem uma forma retangular apresentando um índice de circularidade de 0,43, estando bastante afastada de forma circular absoluta correspondente ao valor 1,0.
O padrão de drenagem da bacia do Tijuípe, que é controlado em grande parte pela estrutura geológica do, apresenta-se de forma dendrítica, caracterizado pela grande quantidade de afluentes e sub-afluentes.
CONCLUSÕES:
Para a restituição da rede de drenagem do Rio Tijuípe foram usados como materiais norteadores os mapas elaborados pela CEPLAC apresentando-se em ótima qualidade para a realização do mapeamento do Rio Tijuípe, entretanto, devemos lembrar que a elaboração foi realizada em 1979 e se faz necessário um novo mapeamento da área, visto o forte crescimento regional nos últimos trinta anos.
Para compor uma pesquisa maior sendo esta, o “Mapeamento Geomorfológico Ambiental do Litoral de Itacaré (BA): Contributos para análise e o planejamento ambiental de espaços litorâneos” foi utilizado para delimitar o limite da base cartográfica, o limite de bacias hidrográficas, para definir em especial o tamanho do recorte espacial. Com base nos mapas cedidos pela CEPLAC e levantamento de imagens atualizadas obtidas gratuitamente através do Google Earth, foi possível neste caso, iniciar a vetorização da Bacia do Tijuípe, obtendo assim imagens de satélites novas e aumentando a qualidade do trabalho.
Palavras-chave: Bacia do Tijuípe, Analise Morfométrica, Itacaré.