| 66ª Reunião Anual da SBPC |
| Resumo aceito para apresentação na 66ª Reunião Anual da SBPC pela(o): SBPC - SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA |
| A. Ciências Exatas e da Terra - 4. Química - 5. Química de Produtos Naturais |
| CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DO ÓLEO DE ANDIROBA (Carapa guianensis Aubl) DO ESTADO DO ACRE |
| Kennedy Lima da Silva - Graduando / Universidade Federal do Acre - UFAC Ludimila Klippel Aguiar - Graduanda / Universidade Federal do Acre - UFAC Rogério Antonio Sartori - Doutor / Centro de Ciências Biológicas e da Natureza - UFAC Delcio Dias Marques - Orientador / Centro de Ciências Biológicas e da Natureza - UFAC |
| INTRODUÇÃO: |
| Os óleos fixos representam um grupo de substâncias amplamente utilizados na produção industrial como em cosmético, combustíveis, produto alimentício e produtos farmacêuticos. São substâncias caracterizadas pela alta solubilidade em solventes orgânicos e baixa solubilidade em água. Os óleos são constituídos essencialmente de triglicerídeos (97%) e de outras constituintes como fosfatídeos, esteróis e ácidos graxos livres. O processo de extração do óleo de andiroba, em comunidades rurais, apresenta três etapas. O primeiro passo representado pela coleta e seleção das sementes e o passo seguinte denominado de prepara da massa. Esta consiste no cozimento das sementes e posterior repouso por 15 a 20 dias, quando é preparada a massa. A extração ocorre por meio de prensa, onde a massa é deixada sobre pressão por 10 a 15 dias. Pesquisa recente sobre o uso caseiro do óleo de andiroba tem demonstrado causar inflamações no fígado. Na região Amazônica, em especial no Estado do Acre, o óleo é usado na medicina tradicional no tratamento de tosse, convulsões, reumatismo além de estimulante sexual. Neste contexto, foi realizado estudo sobre a composição química do óleo de andiroba (Carapa guianensis Aubl.) com o intuído de contribuir com o conhecimento químico desse produto. |
| OBJETIVO DO TRABALHO: |
| Realizar a caracterização do perfil química e dos parâmetros físico-químicos do óleo de andiroba (Carapa guianensis Aubl), uma oleaginosa comercializada no Estado do Acre, tradicionalmente usada na medicina popular acriana. |
| MÉTODOS: |
| Foi adquirido um litro do óleo de andiroba in natura (IN) no mercado central de Rio Branco/Acre, antes de ser processado por decantação para obter o produto considerado medicinal. No laboratório de química da Universidade Federal do Acre, a amostra do óleo foi fracionada em duas porções. A primeira porção foi reservada para a obtenção do óleo considerado medicinal (SO), obtido por decantação. Após vários etapas de decantação, a parte sobrenadante (SO) foi centrifugado a 2500 rpm por 30 minutos. As três frações, in natura (IN), sobrenadante (SO) e decantado (DE), foram metiladas com metanol em ácido sulfúrico e analisados em CG/EM e CG/FID para a obtenção do perfil química e quantificação dos ácidos graxos. A fração in natura (IN) foi utilizada para a determinação dos parâmetros físico-químicos: umidade, índice de refração, índice de acidez, índice de saponificação, índice de ésteres, cinzas e sólidos solúveis totais. As análises foram realizadas em triplicatas, conforme estabelece as normas do Laboratório Nacional de Referência Animal (LANARA), Instituto Adolfo Lutz e AOAC. |
| RESULTADOS E DISCUSSÃO: |
| O teor de sólidos solúveis totais do óleo in natura (IN) apresentou valor em grau Brix de 69,30 (σ ± 0,0001). Esse valor depende principalmente do método de extração utilizado para se obter o óleo. Neste caso, esse índice pode ser justificado pelo método artesanal de extração utilizado. Apesar do método de extração, o teor de umidade foi de 0,79% (σ ± 0,0563). O índice de ésteres, que representa a diferença entre o índice de saponificação 166,67 mgKOH g-1 (σ ± 0,8229) e o índice de acidez 61,33 mgKOH g-1 (σ ± 0,4419), apresentou um teor de 105,34 mgKOH g-1 (σ ± 1,33) indicando um baixo nível de triglicerídeos, que proporcionalmente representou 63,2% do óleo de andiroba. O baixo teor de triglicerídeos pode ser justificado pelo alto índice de acidez, onde revelou uma significativa proporção de ácidos graxos livres 36,8% não esterificados. O teor de cinzas apresentou valor baixo de 0,0049% (σ ± 0,0001) revelando que o método de extração artesanal não provocou contaminação do óleo com materiais sólidos. O índice de refração de 0,79 (σ ± 0,0563) caracteriza o perfil químico dos ácidos graxos do óleo de andiroba com baixo grau de insaturação. A análise CG/EM e CG/FID revelou o ácido oléico como constituinte principal na proporção de 54,40%, 54,06% e 37,82%, respectivamente para as frações IN, DE e SO. As análises também revelaram a presença, embora em baixa concentração, dos ácidos cis e trans 9-oxirano-octadecanóico, nas frações óleo DE e SO. A ausência deste constituinte no óleo in natura mostrou que se trata de um artefato originado, muito provavelmente, durante o processo de decantação do óleo. O ácido cis-9-oxirano-octadecanóico apresentou maior proporção na ordem de 1,34% e 1,28%, respectivamente para as frações SO e DE, enquanto o trans-9-oxirano-octadecanóico ficou na ordem de 0,35%, para as duas frações. |
| CONCLUSÕES: |
| A presença dos ácidos cis e trans 9-oxirano-octadecanóico, embora em pequena concentração, nas amostras DE e SO mostrou possibilidades de formação desses artefatos no processo de decantação do óleo. Esse processo ocorre por um longo período e passa por várias fases de decantação, possibilitando a reação de oxidação com as duplas olefínicas dos ácidos graxos presente no óleo in natura. Os anéis oxiranos são considerados de alta toxicidade, em função da sua reatividade, devido seu caráter eletrófilo o qual pode reagir com uma variedade de nucleófilos biológicos. |
| Palavras-chave: Óleo de andiroba, Perfil químico, 9-Oxirano-octadecanóico. |