66ª Reunião Anual da SBPC
Resumo aceito para apresentação na 66ª Reunião Anual da SBPC pela(o):
SBPC - SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA
G. Ciências Humanas - 5. História - 3. História Social
HISTÓRIA SOCIAL DAS MULHERES NA CIDADE DE PARINTINS (1980-1990): COTIDIANO E EXPERIÊNCIA DE LUTA NO BAIXO AMAZONAS
DAYANNA BATISTA APOLÔNIO - CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE PARINTINS-CESP/UEA
ARCÃNGELO DA SILVA FERREIRA - ORIENTADOR/CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE PARINTINS-CESP/UEA
INTRODUÇÃO:
A emergência pela história das mulheres esteve correlacionada ao movimento feminista 1960-70, onde mulheres reivindicavam um campo especializado e através de sua entrada nas universidades Norte-Americanas passaram investigar sobre a história das mulheres assim como sobre as questões de gênero (SCOOT apud GONÇALVES, 2006, p. 62). A história das mulheres, no seu sentido plural, começou a ter visibilidade nas diferentes sociedades quando determinados movimentos trouxeram a baila discussões sobre a ausência das mulheres nas discussões sobre os rumos de suas próprias vidas. Nessa linha, esta pesquisa reconstrói a partir das narrativas orais das mulheres/moradoras do bairro Djard Vieira na cidade de Parintins parte de suas histórias relacionadas à busca de seus direitos, sociais e políticos inseridos na história da cidade. Questionando-se as representações depreciadoras da figura feminina construídas socialmente e culturalmente, tendo como problemáticas: como reconstruir uma história das mulheres na quais tais atoras sociais possam se reconhecer nessa escrita? Em quais cenários as mulheres estão inseridas na cidade de Parintins? Quais estratégias construídas socialmente pelas mulheres/moradoras diante das dificuldades encontradas?
OBJETIVO DO TRABALHO:
Pesquisar mulheres do bairro Djard Vieira elucidando suas formas de articulação relacionadas à conquista de direitos na cidade de Parintins. Evidenciar o papel das mulheres nas reivindicações políticas e sociais para o bairro Djard Vieira. Identificar as estratégias utilizadas pelas mulheres para buscar melhorias, para o bairro Djard Vieira, junto ao poder público.
MÉTODOS:
Adotamos a história oral como procedimento metodológico, visando compreender a subjetividade dos sujeitos sociais que não estão na história oficial. As narrativas orais foram um ponto inicial para a verificação das articulações sociais e politicas relacionadas a reivindicações para o bairro em estudo, enfatizando o papel e o lugar dessas mulheres nesse processo histórico. A tradição oral nesse sentido tem papel fundamental na transmissão das experiências vividas pelos indivíduos na sociedade e no tempo. Nessa medida utilizamos os estudos de Alessandro Portelli. Para ele, a história oral permite, por meio das experiências diferentes dos sujeitos sociais, conhecer um campo de possibilidades compartilhadas, reais ou imaginárias; na história oral ocorre um processo que vai além da entrevista coletada pelo historiador, sua transcrição, e que por meio da interpretação o pesquisador mostra novos elementos vividos pelos sujeitos comuns que não tiveram vez e nem voz na historiografia não podendo ser encontrados de outra forma; a narração por si só já é interpretada pelo narrador. Corroborando o pressuposto metodológico abarcado, a pesquisa busca compreender uma história desde baixo (SHARPE, 1992), elucidando articulações e lutas de mulheres residentes no Bairro Djard Vieira.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
A narrativa de Leonilza Gadelha adiante analisada é emblemática, nela está contida os sentimentos que evidenciam gestos de autonomia construídos historicamente por meio de diversas experiências das mulheres que ajudaram a construir a história do bairro Djard Vieira, “[...] mas eu, às vezes sou teimosa nas coisas e resolvi tomar partida de dizer: oh! tu não queres ir eu vou, porque vai ficar perto do meu trabalho e aí ele também se colocou disponível pra nos trazer que tinha carroça né, pra trazer os quase nada da gente pra cá, a casa era bem aqui assim, não era essa, era uma de taipa.” Aqui percebemos que, mesmo seu marido colocando dificuldades em uma mudança da família para um local mais próximo de seu trabalho, Leonilza não desistiu da ideia de morar na cidade, pois facilitaria seu percurso a Fabril Juta, fabrica produtora de fibra de juta (1932- 1984), tomando iniciativa para que sua família definitivamente deixasse sua antiga residência, na comunidade do Parananema. A família de dona Leonilza não está alheia ao processo de crescimento da cidade, onde houve a necessidade de muitas famílias mudarem para Parintins. Algumas vindas da zona rural em busca de melhores condições socioeconômicas. Por meio da narrativa usada como exemplo é possível conhecer as estratégias criadas pelas mulheres para obtenção de renda que ajudava no sustento da família demonstrando assim, certa autonomia no que diz respeito à dependência econômica da figura masculina, assim é importante mostrar as ações das mulheres no contexto da vida cotidiana (DEL PRIORE, 2003).
CONCLUSÕES:
Por meio da narração dos sujeitos sociais que são moradores do bairro Djard Vieira é perceptível através das vivências e experiências das mulheres, conhecer a luta na vida cotidiana, tanto no espaço privado, quanto do público evidenciando ações delas na cidade, diante de dificuldades construíram estratégias para suprir suas necessidades e alcançar seus direitos que muitas das vezes lhe são negados. As mulheres/moradoras do bairro Djard Vieira demostram ações, estratégias, nos diálogos com outros moradores referentes aos objetivos que queriam alcançar, nas idas ao rio Amazonas, onde era forma de sociabilidade. Hoje o bairro demanda de uma infraestrutura, uma escola funcionando o ensino fundamental e uma policlínica que são resultados de reivindicações dessas moradoras, no entanto, é um processo de luta continua, pois ainda enfrentam dificuldades.
Palavras-chave: Mulheres, Experiências, Cidade.