Reunião Regional da SBPC em Boa Vista
C. Ciências Biológicas - 8. Genética - 1. Genética Animal
Artibeus spp. (Chiroptera: Phyllostomidae) da cidade de Manaus-AM: Uma abordagem citogenômica
Érica Martinha Silva de Souza 1
Maria Claudia Gross 2
Eliana Feldberg 3
1. IC - Bolsista FAPEAM/INPA- Graduanda em Biologia/UFAM
2. Profa. Dra.- Dep de Biologia/ICB/UFAM
3. Pesquisadora- CPBA/INPA
INTRODUÇÃO:
Os morcegos brasileiros possuem nove famílias na qual se destaca a Phyllostomidae por possuir uma alta diversidade. Dentro dessa família encontra-se a subfamília Stenodermatinae, a qual abriga o gênero Artibeus sendo estes classificados em pequeno e grande porte. Por ocorrerem espécies em simpatria, muitas vezes são de difícil identificação e o estudo citogenético nesse caso servirá como mais uma ferramenta para solucionar esse problema.
METODOLOGIA:
Para isto foram analisados 10 indivíduos de Artibeus de duas localidades: 5 do Instituto Nacional de Pesquisa (INPA – Manaus, AM), 5 do Sítio Bons Amigos (BR 174 – KM 14, AM). Os cromossomos mitóticos foram obtidos pelo método in vivo segundo Ford & Harmerton (1956). As regiões organizadoras de nucléolos (RONs) foram detectadas por impregnação com nitrato de Prata (Howell & Black, 1980) e o padrão da heterocromatina constitutiva (banda C) por meio da ação do hidróxido de bário (Sumner, 1972). As sequências de DNA ribossomal 18S, teloméricas e do retroelemento Line 1 foram mapeadas pela técnica de hibridização in situ fluorescente (FISH) (Pinkel et al., 1986).
RESULTADOS:
O número diplóide encontrado foi 30 cromossomos para as fêmeas e 31 para os machos, com sistema múltiplo sexual do tipo XX/XY1Y2, sendo o X submetacêntrico médio, Y1 puntiforme e Y2 acrocêntrico pequeno. RONs múltiplas foram identificadas com AgNO3, variando de duas a seis marcações, e a sonda de DNAr 18S confirmou as marcações nas regiões terminais dos braços curtos dos três pares de subtelocêntricos. Três padrões de distribuição da heterocromatina foram verificados para o cromossomo X: no padrão I o X apresenta marcação centromérica e levemente na região terminal do braço curto; no padrão II o X apresentou marcação centromérica, um bloco terminal nos braços curtos e um bloco conspícuo intersticial nos braços longos; no padrão III o X apresentou marcação no centrômero, uma marcação terminal fraca nos braços curtos e uma faixa intersticial no braço longo. A sonda telomérica evidenciou, além das marcações esperadas, marcações centroméricas em três pares de subtelocêntricos em todos os indivíduos, sugerindo eventos de fusão. A FISH com sonda Line 1, demonstrou que nem sempre este retroelemento está relacionado com a heterocromatina, pois apesar dos diferentes padrões heterocromáticos do X, a localização do Line 1 nestes cromossomos foi semelhante em todos os indivíduos.
CONCLUSÃO:
Apesar da dificuldade em se estabelecer uma classificação taxonômica exata em espécimes do gênero Artibeus devido a sobreposição de caracteres morfológicos, o presente estudo demonstra que a utilização da citogenômica poderá auxiliar na identificação destes indivíduos, fornecendo marcadores espécie-específicos capazes de individualizar espécies quando utilizados em conjunto com dados moleculares e morfológicos.
Instituição de Fomento: FAPEAM
Palavras-chave: Morcego, Cromossomos, Amazônia.