Reunião Regional da SBPC em Boa Vista
E. Ciências Agrárias - 1. Agronomia - 3. Fitossanidade
PRÁTICAS E SITUAÇÕES DE RISCOS NO USO DE AGROTÓXICOS PELOS HORTICULTORES EM BOA VISTA – RR
Antonio Cesar Silva Lima 1
Carlos Zanata Freitas de Souza 2
Adriano Henrique Cruz de Oliveira 2
Cirano Cruz Melville 2
1. Eng. Agr., DSc., Prof. do Departamento de Fitotecnia da UFRR, Orientador e Tutor
2. Universidade Federal de Roraima
INTRODUÇÃO:
Atualmente o Brasil é o principal consumidor de agrotóxico do mundo. Contudo, o baixo nível educacional, marcado pelo alto índice de analfabetismo e pouca escolaridade da grande maioria dos trabalhadores rurais, tem contribuído para o aumento dos casos de intoxicação, principalmente em decorrência da exposição ocupacional. Outro aspecto relevante tem sido o aumento da contaminação ambiental, devido às práticas de uso inadequadas e a falta de conhecimento sobre a real periculosidade e toxicidade dos agrotóxicos.O objetivo neste trabalho foi obter dados para melhor diagnosticar a realidade sobre as práticas, atitudes e riscos no uso de agrotóxicos pelos produtores de hortaliças, no município de Boa Vista, RR.
METODOLOGIA:
O estudo descritivo foi realizado no município de Boa Vista, RR, área urbana e rural, nos meses de fevereiro a abril de 2008, entre os produtores de hortaliças, especificamente do Projeto Estufas, administrado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Agrícola de Boa Vista. Como estratégia de seleção da amostra a ser trabalhada, foi tomado por base o cadastro de todas as hortas atendidas pelo referido Projeto, sendo selecionado aleatoriamente, 75 produtores distribuídos em 18 bairros e 4 localidades rurais do município. Os dados foram obtidos em visitas in loco , realizadas sem aviso prévio. O instrumento de coleta de dados foi um questionário semi-estruturado com questões relacionadas ao perfil do entrevistado e à utilização de agrotóxico. Os dados obtidos das entrevistas foram tabulados e foi utilizada a estatística descritiva para análise.
RESULTADOS:
Os resultados mostraram que 68% dos horticultores utilizam agrotóxicos, 92% disseram já ter recebido algum tipo de orientação técnica e 41,33% buscam um técnico quando pensam em adquirir. No momento da compra, 64% consideram mais importante o aspecto eficiência. 53,33% dos produtores, não reconhecem o significado das cores das tarjas nas embalagens dos agrotóxicos. Quanto às medidas de segurança e proteção durante a aplicação 89,33% não usam nenhum tipo de proteção. Indagados sobre intoxicação, 21,33% disseram que já sofreram. Quanto ao descarte das embalagens vazias, 100% dos horticultores não dão o destino adequado. Quanto aos tipos agrotóxicos, houve predomino dos grupos organofosforado e piretróide. Com respeito ao perfil toxicológico dos agrotóxicos, 73,71%, enquadrou-se em medianamente e pouco tóxicos. No aspecto periculosidade ambiental, 82,94% classificaram-se em altamente perigosos e perigos.
CONCLUSÃO:
Portanto, conclui-se que existe uma utilização intensa de agrotóxicos entre os horticultores do projeto estufa, e a prática e o uso abusivo constatado pode ocasionar sérios riscos de intoxicação direta e indireta, além de contaminação ambiental.
Instituição de Fomento: PET-MEC/SESu
Palavras-chave: Amazônia, exposição ocupacional, olericultura.