Reunião Regional da SBPC em Boa Vista
G. Ciências Humanas - 5. História - 9. História Social
ORGANIZAÇÃO E RESISTÊNCIA DOS TRABALHADORES RURAIS NO SUDESTE DE RORAIMA.
Maria José dos Santos 01
Luiz Balkar Sá Peixoto Pinheiro. 02
1. Prof.Dr.Departamento de História da Universidade Federal do Amazonas - UFAM
2. Prof. Mestranda da Universidade Estadual de Roraima - UERR
INTRODUÇÃO:
O artigo buscou compreender a organização e a resistência dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no período de 1970 a 1990, dentro da Perimetral Norte, localizada na região Sudeste de Roraima. Visamos identificar as estratégias de luta e resistência destes frente a realidade encontrada dentro das vicinais. O surgimento da organização destes será analisado fora de uma concepção determinista de causa e efeito, mas nas práticas do cotidiano. A relevância desta pesquisa é investigar a construção social destes migrantes e as raízes de sua organização política.
METODOLOGIA:

Investigou-se a produção acadêmica sobre a migração e projetos de assentamentos na Amazônia. Em seguida partiu-se para as experiências e relatos orais por meio dos depoimentos sobre as experiências e a realidade encontrada nos lotes. Os entrevistados pertencem a quatro grupos selecionados: poder público, militantes dos movimentos sociais, primeiros moradores da Perimetral Norte e sindicalistas. E por fim pesquisou-se os arquivos do INCRA e ITERAIMA, Prefeituras e Câmaras municipais de Caroebe, São Joao da Baliza e São Luis do Anauá.
RESULTADOS:
A pesquisa evidenciou que a história de surgimento dos movimentos sociais está relacionada ao processo de colonização especialmente a partir de final da década e 1970. Este crescimento foi compreendido enquanto fluxos migratórios de Mobilidade do Trabalho (BECKER, 1998). Os projetos desenvolvimentistas foram importante elemento de busca da terra, contribuindo para aumentar os conflitos e a violência no campo. Estes conflitos demonstram que houve uma resistência, uma resposta a estes projetos. Na realidade este processo não é unilateral. Thompsom (1987), ao analisar o processo econômico consegue inverter o foco de estudo, centrando seu olhar sobre a resistência do excluído na expansão do capital, e afirmando que este não se faz, em espaços vazios, sem envolver-se em conflito com as populações tradicionais que desenvolverão resistência a estas mudanças, ou seja mesmo que numa mais analise geral o poder econômico aparente esta sobreposição, ele não consegue facilmente se impor, diante tradições culturais e sociais. Neste sentido diversas estratégias de organização e lutas foram disseminando-se na Perimetral Norte e em seguida éxpandindo-se por todo Estado.

CONCLUSÃO:
A migração foi uma estratégia de resistência, e a decisão de migrar representa ainda a realização de um sonho de ter sua própria terra. A migração não foi simplesmente a fuga, mais também uma escolha, pois a história não é feita de determinismo, mas de opções e escolhas. Logo a organização foi permeada pela necessidade de permanecer sendo trabalhador e trabalhadora rural e ainda de defender suas tradições e cultura..
Palavras-chave: Memória, Organização, Resistência.