Reunião Regional da SBPC em Boa Vista
C. Ciências Biológicas - 5. Ecologia - 4. Ecologia
TAXA DE GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE ANDIROBA (Carapa guianensis AUBL.) PREDADAS POR Hypsipyla ferrealis (LEPIDOPTERA: PYRALIDADE)
Juciane Casaes de Souza 1
Camile Sothe 2
Carolina Volkmer de Castilho 3
Tiago Monteiro Condé 4
Helio Tonini 5
1. Acadêmica do curso de graduação em Química da UFRR, bolsista ATP/CNPq.
2. Acadêmica do curso de graduação em Engenharia Florestal da UDESC. E-mail: kmili
3. Bióloga, doutora, pesquisadora da Embrapa Roraima. E-mail: carolina@cpafrr.embr
4. Mestrando em Recursos Naturais da UFRR, bolsista Capes. E-mail: tiagonaflorest
5. Engenheiro florestal, doutor, pesquisador da Embrapa Roraima. E-mail: helio@cpaf
INTRODUÇÃO:

A andiroba ( Carapa guianensis ) é uma espécie arbórea com grande potencial de exploração não-madeireira na Amazônia. O óleo, extraído de sementes desta espécie, tem demanda internacional e é utilizado principalmente na indústria de cosméticos e na medicina popular. As plantas de andiroba são hospedeiras bastante atacadas por insetos lepidópteros, destacando-se a espécie Hypsipyla ferrealis Hampson, o que limita o seu plantio comercial. As larvas desses insetos consomem o endosperma das sementes comprometendo a viabilidade das mesmas. Ao diminuir o número de propágulos disponíveis para germinação, a predação de sementes pode limitar o recrutamento de plantas e influenciar a distribuição espacial dos adultos. Uma vez que as sementes de andiroba são um importante recurso explorado por populações tradicionais da Amazônia, estratégias de manejo da espécie devem incluir as diferentes fontes de perda de sementes nos sistemas naturais para garantir a sustentabilidade da exploração. O objetivo deste trabalho foi quantificar a taxa de predação e de germinação de sementes predadas e não predadas de C. guianensis em Roraima.
METODOLOGIA:
As sementes de andiroba foram coletadas em floresta com ocorrência natural de andiroba, localizada no sul do estado de Roraima, no município de São João do Baliza. As coletas foram feitas nos meses de maio a junho de 2010, no pico da produção dos frutos. Foram selecionadas 8 árvores produtivas, para coleta de 20 sementes/árvore. As sementes foram avaliadas quanto à presença de sinais de predação por invertebrados. A taxa de predação das sementes foi definida como a relação entre o número de sementes predadas e total de sementes coletadas na amostragem. Todas as sementes coletadas foram plantadas em um viveiro, utilizando-se areia lavada como substrato. Diariamente, durante 3 meses, as sementes foram avaliadas para registro da data de germinação.
RESULTADOS:
Após três meses, observou-se uma diferença significativa entre a taxa de germinação das sementes predadas e não-predadas (t=2,943, df=14, P=0.011). A taxa de germinação das sementes predadas foi de 43%, enquanto que a das sementes não-predadas foi de 74%.
CONCLUSÃO:
Nossos resultados indicam que a predação por Hypsipyla ferrealis exerce um papel muito importante no potencial biótico de Carapa guianensis , reduzindo a sobrevivência das sementes. Embora a taxa de predação seja elevada, as sementes não perdem totalmente a viabilidade e conseguem originar plântulas viáveis.
Instituição de Fomento: Embrapa
Palavras-chave: Roraima, predação, invertebrados.