Reunião Regional da SBPC em Oriximiná
G. Ciências Humanas - 7. Educação - 2. Currículo
PRÁTICAS DOCENTES NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA EM PARINTINS (1960-2010)
Isabel do Socorro Lobato Beltrão 1
Amarildo Menezes Gonzaga 2
1. Mestranda - Centro de Estudos Superiores - CESP/UEA
2. Prof. Dr./Orientador - Universidade do Estado do Amazonas - UEA
INTRODUÇÃO:
Considerando que nossa inquietação acerca do desenvolvimento do trabalho pedagógico dos professores de Matemática em Parintins-AM não era recente e fazia parte de nossa trajetória profissional, resolvemos centralizar nosso foco de investigação em torno de uma pesquisa empírica amparada nos parâmetros metodológicos da História Oral, focada em práticas docentes e experiências curriculares decorrente da Educação Matemática em Parintins/AM no período de 1960 a 2010.
O período tomado para estudo justifica-se pela possibilidade de se perceber as mudanças ocorridas ao longo dessas cinco décadas na Educação Matemática.
Em busca de uma abordagem que viesse ao encontro dos objetivos propostos, centramo-nos na pesquisa qualitativa, com enfoque narrativo (CONNELLY e CLANDININ, 1995), com base em entrevistas semiestruturadas.
Devido buscar uma realidade não documentada, as entrevistas tiveram roteiro planejado, porém semiestruturadas, de forma a dar aos sujeitos da pesquisa a possibilidade de seguirem seus próprios rumos narrativos.
Espera-se que essa pesquisa possibilite o conhecimento e a ressignificação da Educação Matemática nas relações sociais e, por conseguinte, no pleno exercício da cidadania.
METODOLOGIA:
A História Oral foi utilizada como metodologia de pesquisa qualitativa, fundamentando os propósitos investigativos, a preparação, a elaboração e a análise das narrativas.
O percurso metodológico foi iniciado a partir do mapeamento dos professores de Matemática na cidade-campo da pesquisa. A partir foram selecionados, aleatoriamente, cinco professores, cada um representante de uma década do estudo. Como técnica de coleta de dados utilizamos entrevistas semiestruturadas
Como as fontes orais são constituídas a partir de entrevistas, elaboramos um roteiro amplo e abrangente, que foram utilizados em todas as entrevistas, visando garantir certa unidade nos documentos produzidos. Como se tratavam de docentes que atuaram na Educação Matemática em décadas diferentes, as abordagens foram diferenciadas no momento da execução da entrevista visando atender aos objetivos da pesquisa e melhor adequação ao roteiro elaborado de acordo com a época de atuação do professor entrevistado.
Dessa forma nosso roteiro teve caráter temático e não se restringe a trajetória de vida de nossos entrevistados. Consideramos estritamente aquela parte da história de vida do entrevistado ligada ao tema de nosso estudo.
RESULTADOS:
Ao dar voz aos sujeitos, encontramos relatos que se detiveram no contínuo das vivências ou em passagens que se configuraram de modo central na prática docente.
Quanto à formação Ítala diz, “Fiz magistério no Colégio “Auxiliadora”, já lecionava quando fiz Licenciatura Curta em Ciências e especialização em Matemática”.
Maurício é o único entrevistado que ministrava aulas sem habilitação, “[...] comecei a lecionar em 1970, era formado em técnico eletrônico. Em 1982, fiz Licenciatura Curta em Ciências”.
Quanto às dificuldades da prática docentes, Ítala narra: “quando comecei em 1961, na Escola “Araújo Filho” me deram uma turma de 5ª série com 52 alunos. Na outra cadeira trabalhava a noite no Colégio “Nossa Senhora do Carmo” com turmas de Magistério e Contabilidade”.
Amélia avalia seus 32 anos de docência, fazendo analogia entre a década de 60/70 com a atual: “[...] acho que naquela época havia mais interesse dos alunos e da família, apesar, que naquela época o ensino era mais rígido, [...]”.
As narrativas evidenciaram mudanças ocorridas na Educação Matemática nas últimas cinco décadas em Parintins, como a busca pela qualificação, acesso a informação fatores que amenizaram as dificuldades inerentes a vida em uma ilha no meio da Floresta Amazônica, na região norte do Estado do Amazonas.
CONCLUSÃO:
Na tessitura do texto nosso propósito era evidenciar a partir da análise de narrativas dos docentes, sínteses de suas práticas e experiências durante suas trajetórias na Educação Matemática em Parintins nas últimas cinco décadas.
Conseguimos esse êxito ao atrelarmos a pesquisa às dimensões temporais e relacionais à época em que foi realizada. Assim fatos e situações ganharam determinados significados, podendo ser reelaborados mediante novas aprendizagens e sentidos.
O percurso investigativo nos permitiu reflexão sobre a prática docente dos sujeitos, o que nos levou à constatação de que as reconfigurações subjetivas, efetivamente, não são estáveis, visto que estão em permanente processo de constituição e, recursivamente, integram elementos antigos e novos.
Através das narrativas percebemos mudanças ocorridas na Educação Matemática em Parintins. Colocando-se em destaque a busca pela formação continuada, o acesso à informação e aos recursos didáticos.
Enfim, as narrativas são meros pretextos balizadores daquilo que emerge da subjetividade dos docentes na condição de sujeitos da pesquisa. Só não podemos assegurar que diante de novas práticas, experiências e significações, os sujeitos permanecerão com as mesmas concepções tratadas na ocasião em que contaram suas histórias.
Instituição de Fomento: Fundação Amparo Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM
Palavras-chave: Educação Matemática