Reunião Regional da SBPC em Oriximiná
H. Artes, Letras e Lingüística - 4. Linguística - 5. Teoria e Análise Lingüística
MÉTAFORA CONCEITUAL: UMA PESQUISA DO PORTUGUÊS SANTARENO
Maelly Larissa Mendes Pantoja 1
Ediene Pena Ferreira 2
1. Acadêmica do Programa de Letras, Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA
2. Profa. Dra./Orientadora – Prof. do Programa de Letras – UFOPA
INTRODUÇÃO:
O conceito tradicional da metáfora surgiu com Aristóteles, em que a considerava apenas como um recurso linguístico de ornamento. A partir dos estudos de Lakoff e Johnson, por volta de 1970, a metáfora passa a ser reconhecida como uma operação cognitiva, com o enfoque experiencialista, tornando-se um mecanismo de racionalidade imaginativa. Esta teoria é conhecida como Teoria da Metáfora Conceitual que indica o uso de metáforas não como uma simples forma de expressar ideias, mas advertindo que é um fenômeno conceitual de origem cognitiva. Para se perceber que a metáfora aponta para um conceito metafórico e estruturado em uma atividade cotidiana, o conceito DISCUSSÃO, por exemplo, com a metáfora conceptual DISCUSSÃO É GUERRA se faz presente na linguagem cotidiana numa grande variedade de expressões, como no enunciado “Ela atacou todos os pontos fracos da minha argumentação” (ZANOTTO, 2002, p. 46). Percebe-se que não apenas falamos em discussão, mas também se está sujeito a ganhar ou perder um discussão, assim passamos a tratar a outra pessoa como adversário em defasa do próprio posicionamento.
Partindo desse pressuposto, a presente pesquisa teve como propósito analisar o conceito TEMPO, na metáfora conceptual TEMPO É UM BEM VALIOSO no corpus de textos orais do português santareno (CTOPS), mostrando a importância da desconstrução da metáfora como recurso estilístico, e afirmando que os conceitos metafóricos existem na linguagem cotidiana da população de Santarém.
METODOLOGIA:
O trabalho foi realizado com amostras de fala dos habitantes do município de Santarém-PA que foram coletadas no Projeto CTOPS (Corpus de Textos Orais do Português Santareno) do grupo de Estudos Linguísticos do Oeste do Pará (GELOPA), sendo uma pesquisa de campo, que segundo Marconi (2006) a define como aquela que tem o objetivo de conseguir informação ou conhecimentos acerca de um problema para qual se queira comprovar ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles.
Foram selecionados 05 (cinco) informantes, sem critério de sexo, escolaridade e idade, porém com o seguinte perfil: residentes na zona urbana da cidade de Santarém-PA ou vindo para essa cidade com até cinco anos de idade, ter pais paraenses, não ter saído de Santarém por um período superior a dois anos e residir em Santarém.
Foram utilizados nesta pesquisa 05 (cinco) textos orais, sendo selecionados a partir da apresentação do conceito metafórico TEMPO É UM BEM VALIOSO. Esse conceito é um dos que Lakoff e Johnson defendem como metafóricos, uma vez que usamos em nossas experiências do cotidiano.
RESULTADOS:
As expressões conceituais metafóricas presentes nos textos foram: “Ela pediu pra dá um tempo”,“Num quis mais tocar no assunto por um tempo”, “Vamos deixa o tempo falá/levá/falá”,“O tempo que vai dizer”,“Só olhando pra vida alheia dos outros né?”, “Dez horas da noite se perdia no tempo e esquecia”, “Se fosse pra descrever eu acho que agente ia passar:: o dia todo aqui descrevendo o lugar”. De acordo com Lakoff e Johnson o termo “tempo” é associado a dinheiro, por significar práticas relativas da cultura ocidental moderna, a qual fazemos parte, em que o tempo é trabalho, sendo o mesmo, um recurso limitado e usado para alcançar os nossos objetivos, como “dar um tempo” significa afirmar que o tempo é um instrumento de separação e de entendimento.
As expressões linguísticas derivadas das metáforas conceituais são denominadas expressões metafóricas, em que as características do conceito TEMPO pode está significando a perda de tempo, tempo investido ou poupado, sendo encontrado nas expressões metafóricas dos textos orais do português santareno. Assim, temos: “Num quis mais tocar no assunto por um tempo”, “Vamos deixa o tempo falá/levá/falá”, “Só olhando pra vida alheia dos outros né?”. Para Zanotto (2002), o tempo é considerado como um bem valioso por ser “- um recurso limitado, como o dinheiro - nós o percebemos. Logo, compreendemos e experienciamos o tempo como algo que pode ser gasto, desperdiçado, orçado, bem ou mal investido, poupado ou liquidado” (p. 51).
CONCLUSÃO:
O trabalho com a metáfora conceitual TEMPO É UM BEM VALIOSO, realizado com o português santareno mostrou que de fato o posicionamento dos precursores da Teoria da Metáfora Conceitual ocorre também no português falado na cidade de Santarém através do corpus do CTOPS, em que a análise dos termos utilizados no trabalho divulga amostras de falas dos habitantes de Santarém-PA que contêm expressões metafóricas ligadas ao tempo. Dessa maneira, a pesquisa analisou a metáfora conceitual do termo Tempo, assim mostrando que as metáforas não são apenas um recurso estilístico, mas também faz parte dos conceitos metafóricos existentes na linguagem cotidiana.
Palavras-chave: Metáfora conceitual