Reunião Regional da SBPC em Oriximiná
G. Ciências Humanas - 7. Educação - 6. Educação Especial
INCLUSÃO DO SURDO NA ESCOLA REGULAR: UMA QUESTÃO DE DIREITO À EDUCAÇÃO
Rayane Duarte Moreira 1
Carlos José de Melo Moreira 1
1. Acadêmica-ICED-UFOPA
2. Prof. Msc./Orientador – ICED/UFOPA
INTRODUÇÃO:
A política de educação especial na perspectiva de educação Inclusiva é assegurada o direito de toda criança freqüentar a escola comum, esclarecendo ações que são de competência da educação especial daquelas que são de competência do ensino comum, onde este é responsável sem quaisquer distinções. Os fora de série na escola. Eles estiveram por muito tempo fora, fora das séries escolares. Separados em escolas especiais ou em salas especiais, não se “misturavam” com os da série na escola. Após muita luta, após avanços sucessivos, após o reconhecimento dos direitos de igualdade, a sociedade e a legislação vêm reconhecendo a especificação de direitos, entre os quais os das pessoas com necessidades educacionais especiais. A entrada educacional desses fora de série deve ser, como de todo e qualquer cidadão, na escola. Esse é o primeiro passo, mas não pode ser fora das salas comuns das escolas comuns (CURY, 2005). Partindo desta premissa, de direito conquistado por lei é que realizamos esta pesquisa, cujo objetivo foi analisar a inclusão do aluno surdo na sala de aula e na escola regular de ensino. Buscando conhecer e analisar os diferentes desafios enfrentados pela escola e pelos alunos surdos.
METODOLOGIA:
A pesquisa foi um estudo de caso. Foi feito um período de observação da rotina da escola, especificamente dentro da sala de aula inclusiva e na sala de recursos. Posteriormente realizou-se entrevistas com a utilização de questionários abertos e dialogados aplicados para um gestor e seu vice, seis professores e quatro alunos surdos de uma determinada escola pública de Santarém/PA, a qual oferece atendimento especializado para alunos surdos. As entrevistas foram gravadas, filmadas e analisadas. Teve a participação de um intérprete de LIBRAS na entrevista com os alunos surdos. Para fundamentação das análises dos dados foram utilizadas as pesquisas de, Strobel (1998, 2009); Quadros (2005, 2010, 2011); Fernandes (2010); Skliar (2009, 2010); Cury (1999, 2005); Montoan (2003, 2005) dentre outros que pesquisam sobre a inclusão do surdo na escola regular.
RESULTADOS:
As observações e entrevistas parcialmente apresentaram que: - que a escola pesquisada atende a educação infantil e alunos da EJA, tendo um total de 621 alunos matriculados este ano de 2012, deste total, 16 alunos apresentam necessidades especiais, que são: 6 surdos; 6 alunos deficiência intelectual; 2 alunos com síndrome de daw; 1 aluno autista e 1 aluno em cadeira de rodas. Todos estes possuem laudo médico. - os gestores se preocupam em construir uma escola inclusiva que atenda a todos os alunos, inclusive os especiais; - o aluno ter necessidade especial de aprendizagem não é um problema para a escola e nem para o aluno especial; - o tempo de aprendizagem e o modo de aprendizagem de cada aluno é diferente; - os professores não se sentem capacitados para trabalhar com a educação especial. – que apenas um professor conhece um pouco de libras; - que apenas uma professora itinerante é insuficiente no acompanhamento dos surdos; – que os surdos estão insatisfeitos com o processo pedagógico e o acompanhamento dos professores e da escola. Com os dados levantados, percebeu-se o empenho da gestão e de parte dos professores em melhorar o atendimento dos alunos surdos com qualidade, mesmo sabendo que ainda muito há de se fazer para se ter realmente uma escola inclusiva.
CONCLUSÃO:
Concluímos que os sujeitos desta pesquisa demonstraram que a escola está passando por uma profunda mudança de paradigmas. Que a escola que se tem hoje é totalmente diferente da escola fechada que se tinha há dez anos. A preocupação e o atendimento dos alunos com necessidades educacionais especiais, nesta escola, mudaram totalmente a vida de toda comunidade escolar. Que as políticas públicas de educação inclusiva internacional e nacional estão forçando os professores a se capacitarem. Que o que era posto como um “problema” de aprendizagem no passado, hoje é visto como um processo “diferente” de aprendizagem, e exige um acompanhamento diferente dos demais sujeitos. Que a falta de recursos e investimento na formação e na carreira docente ainda é um grande empecilho para o bom atendimento educacional especial. Que o surdo ainda é desrespeitando em sua língua dentro da escola pela maioria dos professores que não querem aprender a LIBRAS, também, pela falta de intérprete dentro da sala de aula. Enfim, que muito ainda há de se fazer nesta escola, mas que o primeiro passo ela já deu, que é o de se pautar politicamente no princípio de igualdade de direitos, que é a porta para acolher a diferença e a diversidade. Recebendo sem pré-conceito e com qualidade os fora de série na escola regular.
Palavras-chave: Cidadania