Reunião Regional da SBPC em Oriximiná
C. Ciências Biológicas - 5. Ecologia - 2. Ecologia Aquática
LEVANTAMENTO RÁPIDO DA ICTIOFAUNA DE DOIS IGARAPÉS DE TERRA FIRME DA BACIA DO RIO TAPAJÓS, SANTARÉM – PARÁ
Marcos Paulo Alho de Sousa 1,2
Cárlison Silva de Oliveira 1,3
Luís Reginaldo Ribeiro Rodrigues 1,2,4
1. Universidade Federal do Oeste do Pará
2. Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais da Amazônia
3. Programa de Pós-graduação em Recursos Aquáticos Continentais Amazônicos
4. Linha de Genética e Conservação da Biodiversidade
INTRODUÇÃO:
O rio Amazonas e um grande número de outros rios e pequenos riachos (igarapés) fazem da bacia Amazônica a maior bacia hidrográfica do mundo. Esta abriga grande diversidade e quantidade de peixes, alguns com grande relevância comercial e social, outros, no entanto, pouco conhecidos ou valorizados. O rio Tapajós, outro importante rio da região e que compõe também a bacia Amazônica, é formado por um alto número de igarapés de terra-firme de variadas ordens, que abrigam uma comunidade de peixes ainda pouco estudada até o momento. Estudos já realizados em outros igarapés com o intuito de observar a comunidade ictíica, apresentaram resultados positivos com a utilização da pesca ativa (redes de arrasto, peneira e puçá) como metodologia para captura dos peixes. Dessa maneira, o atual trabalho tem como principal objetivo observar e conhecer a ictiofauna presente em dois igarapés da bacia do rio Tapajós, localizados no município de Santarém – Pará, através do emprego da técnica de pesca ativa, visto que poucas são as informações encontradas atualmente sobre tais igarapés no que diz respeito à comunidade de peixes neles presente.
METODOLOGIA:
Os igarapés (ig.) estudados, localizam-se no município de Santarém – Pará, e são conhecidos como ig. do Sonrisal (S02o32’06.30”/W054o55’25.15”) e ig. da UDV (União do Vegetal) (S02o28’44.22”/O54o47’24.88”). As coletas foram realizadas nos meses de janeiro e fevereiro no ig. do Sonrisal e no mês de março no ig. da UDV, sempre pelo período da manhã, aproximadamente entre 08:00 e 12:00h. A captura dos espécimes se deu através da pesca ativa com o uso de redes de arrasto de malha fina, peneiras de malha metálica de arame, e puçás, ao longo de dois trechos de 20 metros em cada igarapé. Para evitar a fuga dos peixes, cada trecho foi previamente bloqueado com tela plástica de mosquiteiro (malha = 1mm2), obedecendo-se a distância de cerca de 5m entre os trechos. As coletas, em média, duraram cerca de 1h por trecho, tomando o cuidado de amostrar exaustivamente cada trecho. Os peixes capturados foram acondicionados em caixas térmicas (isopores) e conduzidos ao laboratório de Genética e conservação da Universidade Federal do Pará (UFOPA) onde foram contados e identificados, com o auxílio de um especialista, até o menor nível taxonômico possível, e posteriormente foram fixados em formol a 10% para que sejam depositados na Coleção de Peixes da UFOPA.
RESULTADOS:
Ao final das coletas, alcançou-se um total de 211 indivíduos coletados e 11 morfoespécies identificadas ao menor nível taxonômico possível. O ig. do Sonrisal apresentou-se mais abundante e com maior diversidade de morfoespécies, sendo 154 peixes e 09 morfoespécies obtidas. No ig. da UDV foram observados menores números tanto em relação à abundância de peixes (67) quanto em relação à diversidade de morfoespécies encontradas (7). O maior número de indivíduos encontrados no ig. do Sonrisal atribui-se ao maior número de coletas realizadas (2), no entanto, a diversidade de morfoespécies não recebe a mesma interpretação, visto que nas duas coletas realizadas neste igarapé, foram observadas as mesmas morfoespécies. As morfoespécies foram identificadas assim: 1- Knodus sp.; 2- Bryconops cf. giacopini; 3- Hemigrammus sp.; 4- Copella nigrofasciatus; 5- Apistogramma sp.; 6- Crenuchus sp.; 7- Gymnotiforme; 8- Morfoespécie não identificado; 9- Aequidens sp.; 10- Hoplias malabaricus; 11- Nannostomus cf. marginatus. Atribui-se a Knodus sp. (36) e B. cf. giacopini (41) como as espécies mais abundantes, no entanto B. cf giacopini ocorreu apenas no ig. do Sonrisal. Assim como Knodus sp., apenas Hemigrammus sp., C. nigrofasciatus, Crenuchus sp. e Aequidens sp. foram obtidos em todas as coletas.
CONCLUSÃO:
A pesca ativa demonstrou ser um método eficiente de coleta de peixes em igarapés, visto que alcançou um bom número de indivíduos em um número relativamente baixo de coletas. Os ambientes estudados apresentaram ictiofauna semelhante, variando pouco de um ambiente para o outro, entretanto, mais estudos poderão apontar resultados ainda mais precisos. As 11 morfoespécies encontradas sugerem trabalhos mais aprofundados sobre a ictiofauna presente nos igarapés, para que mais pontos destes sejam analisados e assim se saiba com mais certeza sobre a já afirmada alta diversidade ictíica encontrada nestes ambientes. De todo modo, este trabalho corrobora com outros de mesma natureza, onde se observa que os igarapés possuem espécies que são ainda pouco estudadas, no entanto possuem também grande relevância no ambiente e devem ser valorizadas de igual maneira na manutenção e proteção da biodiversidade.
Instituição de Fomento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES
Palavras-chave: igarapés