Reunião Regional da SBPC em Oriximiná
C. Ciências Biológicas - 6. Farmacologia - 3. Toxicologia
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE TOXICOLÓGICA DAS FLORES DE Spilanthes oleracea L. UTILIZANDO O TESTE DO CAMPO ABERTO EM CAMUNDONGOS
Marcia de Oliveira da Silva 1
Aline Evangelista Lima 2
Ricardo Bezerra de Oliveira 3
1. Mestranda em Recursos Naturais da Amazônia - UFOPA
2. Acadêmica de Ciências biológicas - UFOPA
3. Prof. Dr./Orientador - Laboratório de bioprospecção e biologia experimental - UFOPA
INTRODUÇÃO:
Spilanthes oleracea L. (Asteracea), conhecida popularmente na região norte do Brasil como Jambú, é uma espécie amplamente utilizada na culinária e medicina popular amazônica. (CHAKRABORTY et al., 2010). Diversos trabalhos têm demonstrado as atividades farmacológicas presentes em representantes da família Asteracea (BAE et al., 2010; BOONEN et al., 2010), porém estudos que investiguem seus efeitos tóxicos não são encontrados na literatura, principalmente pesquisas relacionadas à espécie S. oleracea L., justificando assim, a relevância de estudos que busquem entender os reais efeitos do uso desta espécie, para que haja confirmação da segurança na sua utilização, uma vez que a avaliação da ação tóxica de extratos de plantas é indispensável para considerar um tratamento seguro. Assim, o presente trabalho tem por objetivo avaliar os efeitos tóxicos da administração subcrônica do extrato aquoso das flores de S. oleracea L. através do teste do Campo aberto.
METODOLOGIA:
O campo aberto consiste de uma arena circular de madeira pintada de branco, com 40 cm de diâmetro e 28 cm de altura. Três círculos concêntricos dividem o fundo dessa arena em três partes que, por sua vez, são subdivididas por segmentos de reta em vinte e cinco áreas aproximadamente iguais. Para realização do experimento foram formados dois grupos (n=7) de camundongos Swiss, o grupo teste recebeu o extrato aquoso da flor de S. oleracea L. (100 mg/kg) e o grupo controle água mineral (1 ml/kg) por um período de quatorze dias. Após o 7º e 14º dia de administração todoso animais foram colocados individualmente no centro da arena e observados durante 5 minutos. Nesse teste foram registrados: Número de cruzamentos (colocação das quatro patas dentro de um quadrante que compõe uma subdivisão do chão da arena); Levantar; Imobilidade: Registra-se a duração deste parâmetro em segundos; Auto-limpeza e bolos fecais. Os resultados foram expressos como média ± erro padrão da média e analisados, empregando-se análise de variância (ANOVA), seguido do teste "t" de Student (p ≤ 0,05).
RESULTADOS:
O TCA é um modelo de locomoção e sedação que pode ser utilizado tanto para verificar os efeitos de substâncias sobre a memória espacial e/ou efeitos sedativos sobre o sistema motor dos animais. A administração via oral de 100 mg/kg do extrato aquoso de S. oleracea L., causou uma significativa alteração na atividade locomotora dos animais, evidenciada pela diminuição do número total de cruzamentos (quadrantes percorridos) após o 7º e 14º dia de tratamento. O número de cruzamentos na periferia também foi significativo ao analisarmos ambos os grupos, demonstrando uma redução da atividade exploratória no grupo tratado. Sendo tais características registradas na literatura como sinais de alteração psicomotora e músculo-esquelético (WALESIUK et al., 2010). Embora os quesitos levantar, auto-limpeza, cruzamentos pelo centro e quantidade de bolos fecais analisados no teste de campo aberto não tenham obtido resultados estatisticamente significativos, foi observado que existe um diferencial entre animais controles e tratados. Sendo observado também que só animais do grupo que recebeu o extrato aquoso apresentaram imobilidade durante o teste.
CONCLUSÃO:
Observou-se que houve diferença significativa entre animais tratados e controles no que se refere à frequência de cruzamentos em quadrantes periféricos e frequência de cruzamento total de quadrantes, onde os animais do grupo que recebeu extrato aquoso apresentaram uma menor movimentação e exploração do ambiente quando comparados aos do grupo controle. Os resultados sugerem um possível efeito tóxico do extrato aquoso de S. oleracea L., demonstrando que maiores pesquisas sobre esta e outras espécies da Amazônia são de suma importância para que haja um melhor entendimento das atividades presentes em vegetais que têm sido utilizados na prevenção e cura de doenças.
Instituição de Fomento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e UFOPA.
Palavras-chave: Spilanthes oleracea L.