Reunião Regional da SBPC no Recôncavo da Bahia
E. Ciências Agrárias - 6. Zootecnia - 2. Nutriçao e Alimentaçao Animal
Sal forrageiro de resíduo desidratado de sisal (Agave sisalana, Perrine) na alimentação de ovinos deslanados
Bárbara Cristina Dantas da Silva 1
Daniele Ribeiro dos Santos 1
Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira 1
1. Setor de Ovinocultura, CCAAB - UFRB, Cruz das Almas – BA
INTRODUÇÃO:
O rebanho de ovinos nacional é superior a 15 milhões de cabeças, sendo o Nordeste o maior produtor. A Bahia ocupa importante posição na produção de ovinos com cerca de 1/3 do rebanho nordestino. Sendo que 70% do território localiza-se no semiárido, há uma enorme demanda por quantidade e qualidade nesta produção.
O sisal (A. sisalana) produz a mais importante fibra dura do mundo, sendo muito resistente e bem adaptada ao clima semiárido. Apesar de sua importância tem proporcionado aos agricultores baixo retorno econômico, devido seu principal produto representar cerca de 5% da planta, os outros 95% são considerados como subprodutos tendo pouca ou nenhuma utilização que possibilite retorno econômico.
Há amplas possibilidades do aproveitamento racional deste subproduto na alimentação de ovinos, sendo associado a tecnologias como o sal forrageiro (SF), o qual é definido como uma mistura de sal mineral com feno moído, de forrageira(s) dicotiledônea(s), entretanto também testada com monocotiledôneas como realizado neste trabalho.
Objetivou-se avaliar os consumos de matéria seca (MS), FDN e FDA em cordeiros deslanados alimentados com feno de capim Tifton (Cynodon nlefluensis) (FCT), determinando o nível ótimo de inclusão do resíduo desidratado de sisal (RDS) na confecção do SF
METODOLOGIA:
O trabalho foi conduzido no setor de ovinocultura do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas da UFRB. Foram utilizados 30 animais mestiços da raça Santa Inês, com idade de quatro meses, confinados, distribuídos em baias individuais de 1m² contendo um comedouro, um bebedouro e um vasilhame com sal mineral (SM), ou SF. O experimento durou 84 dias, sendo 14 dias de adaptação e 70 de coleta de dados.
A dieta foi composta de FCT, dos SF ou de SM e água, à vontade. Os sais forrageiros utilizaram como componentes: sal mineral e farelos de RDS. O sal mineral utilizado foi uma mistura comercial específica para ovinos. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com cinco tratamentos e seis repetições. Os tratamentos foram: SM (testemunha), SF com 95%, 90%, 85% e 80% de RDS, em sua formulação.
Os parâmetros avaliados foram: consumo de MS (CMS), consumo de FDN (CFDN) e consumo de FDA (CFDA). Sendo os dados analisados pelo SAS, seguido de regressão.
RESULTADOS:
As medias dos consumos de MS, FDN e FDA dos tratamentos que continham níveis de resíduo desidratado de sisal não diferiram estatisticamente do tratamento testemunha, ao teste de Dunett a 5% de significância.
Sendo as medias dos consumos de matéria seca no tratamento testemunha foram 663 g/dia. Nos tratamentos com níveis 95, 90, 85 e 80% de RDS apresentaram medias de 701, 598, 600 e 668 g/dia, respectivamente. Para os consumos de FDN as médias dos tratamentos testemunha e com níveis 95, 90, 85 e 80% de RDS foram 574, 591, 507, 512, 571 g/dia, respectivamente. Assim para os consumos de FDA obtiveram-se medias de 352, 366, 313, 316 e 352 g/dia para os tratamentos testemunha e níveis de RDS, respectivamente.
Os consumos de MS, FDN e FDA dos animais apresentaram um comportamento quadrático, onde os tratamentos com 95% de RDS apresentaram os maiores consumo como pode ser observados através das medias apresentadas.
O menor consumo de matéria seca de 588 g/dia foi encontrado para um percentual de 86,93% de RDS na confecção do sal forrageiro de resíduo desidratado de sisal. O consumo mínimo de FDN foi de 500,64 g/dia para 87,11% de RDS no sal forrageiro. Sendo 309,43 g/dia o menor consumo de FDA, na 87,03% de inclusão RDS no SF.
CONCLUSÃO:
O resíduo desidratado de sisal apesar de não ter evitado perdas ou promover ganhos de peso, demonstrou que pode evitar a perdas maiores e conseqüentemente a morte dos animais em comparação aos não suplementados, especialmente quando há escassez de forragem o que normalmente ocorre em longos períodos de estiagem, fenômeno muito comum em condições semiáridas. Portanto o RDS surge como alternativa para minimizar possíveis perdas de peso em ovinos deslanados em regiões produtoras de sisal.
Instituição de Fomento: CNPq
Palavras-chave: Nutrição Animal, Semiárido, Cordeiros.