Reunião Regional da SBPC no Recôncavo da Bahia
D. Ciências da Saúde - 3. Saúde Coletiva - 1. Epidemiologia
COMPREENDENDO A LOMBALGIA E PRÁTICA DA ATIVIDADE FÍSICA ENTRE FUNCIONÁRIOS DE INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR.
Paulo da Fonseca Valença Neto 1
Ana Valéria Reis Souza 1
Jefferson Paixão Cardoso 1
Saulo Vasconcelos Rocha 1
Alba Benemérita Alves Vilela 1
Lélia Renata das Virgens Carneiro 1
1. Núcleo de Estudos em Saúde da População (NESP)
INTRODUÇÃO:
O trabalho enquanto “ação e realização humana” vêm mudando seu perfil ao longo dos anos, passando desde uma relação de imposição e servidão a uma condição de moeda de troca imprescindível à subsistência humana (MÜLLER, 2003).
Dentre os diversos motivos de afastamento decorrentes de processos patológicos desenvolvidos em determinados ambientes e condições de trabalho destaca-se a lombalgia, que é caracterizada por uma condição de dor na região lombar como uma das queixas mais registradas, resultando em perdas de dias de trabalho e até mesmo aposentadoria precoce por invalidez (TORRES et al 2006; DOMÍNGUEZ et. al 2008; SANTOS FILHO et al 2001, SILVA, 1999).
A ausência de realização de algum tipo de atividade física pelos trabalhadores pode constituir um fator de risco para o desenvolvimento e/ou agravamento de diversas condições patológicas, além de aumentar a prevalência da percepção negativa da própria saúde.
Diante disto, o propósito deste estudo foi verificar a associação entre o nível de atividade física e a prevalência de lombalgia entre funcionários da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.
METODOLOGIA:
Estudo de corte transversal, de caráter descritivo, realizado no período março a novembro de 2009, entre funcionários da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus Jequié.
Utilizou-se instrumento de coleta de dados padronizado compostos por 9 blocos de questões. A coleta de dados foi realizada por entrevista individual no setor de trabalho do participante. Para análise dos dados procedeu-se a estatística descritiva incluindo média e desvio-padrão das variáveis contínuas. As variáveis categóricas foram analisadas através da estimativa de frequência (proporções e percentuais). Os dados foram tabulados com auxilio do software EpiData e analisados com o programa estatístico R 2.10.0.
A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (CEP/UESB), protocolo 008/2009.
RESULTADOS:
Foram entrevistados 83 funcionários da Instituição, dentre os 102 (taxa resposta= 81,37%). Observou-se que 50,6% ao sexo masculino. A média de idade foi de 37,96±11,86 anos, variando de 18 a 65 anos.
A prevalência de dor lombar nos funcionários nos últimos doze meses foi de 48,1% e nos últimos sete dias foi de 28,6%. Observou-se que indivíduos com idade igual ou menor que 38 anos (51,1%), pessoas que viviam com companheiro (54,2%), que cursaram o ensino superior (53,8%), possuíam filhos (48,9%) e entre trabalhadores com dois ou mais filhos (50,0%) apresentaram uma maior prevalência de dor lombar.
Entre os entrevistados, 50,6 % foram considerados ativos e 49,4% pouco ativos fisicamente. As mulheres (33,3%), os indivíduos que vivem com companheiros (41,7%), pessoas com idade inferior a 40 anos (48,9%), com níveis de escolaridade mais baixos (46,2 %), as pessoas que referiram ter filhos (44,4%), faixa salarial menor que três salários mínimos (51,9 %) foram menos ativos fisicamente.
Ao analisar a associação entre o nível de atividade física e lombalgia observou-se que a prevalência de dor lombar foi maior entre funcionários considerados fisicamente ativos, contudo a associação não foi estatisticamente significante.
CONCLUSÃO:
Apesar da presença de lombalgia entre os indivíduos ativos ter sido maior, entende-se que o percentual de dores lombares entre os inativos fisicamente também é significante. Nesse sentido, recomenda-se a realização de outros levantamentos no sentido de esclarecer melhor a relação entre essas variáveis.
Palavras-chave: Lombalgia, Atividade Física , Saúde do Trabalhador.