| Reunião Regional da SBPC em Tabatinga - Tabatinga / AM - 2009 |
| A. Ciências Exatas e da Terra - 6. Geociências - 1. Climatologia |
| PRINCIPAIS IMPACTOS AMBIENTAIS PROVOCADOS PELA MINERAÇÃO DE ARGILAS NO MUNICÍPIO DE TABATINGA-AM |
| Helder Manuel da Costa Santos1 Márcia Vieira 2 Antonia Gomes Neta Pinto3 |
| 1. Prof.Dr Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas 2. Geógrafa 3. MSc em Geociências e Química do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia |
| INTRODUÇÃO: |
| As atividades das olarias no Município de Tabatinga, localizado na Região do Alto Solimões do estado do Amazonas, têm sido desenvolvidas sem os estudos de impactos para se conhecer as repercussões socioambientais. A seleção das áreas de exploração e a extração das argilas são realizadas de forma empírica e sem a fiscalização por parte dos órgãos públicos competentes. Por outro lado, a expansão urbana da cidade de Tabatinga e dos municípios circunvizinhos tem provocado o aumento da produção de tijolos que por sua vez tem levado a exploração de novas áreas para extração de argila. Assim, a produção de tijolos vem se transformando em uma atividade lucrativa para os proprietários de olarias e tem implicado em impactos ambientais negativos com danos irreversíveis ao meio ambiente. O conjunto de preocupações quanto aos impactos ambientais gerados pelas olarias e a carência de estudos sobre o assunto na região motivou a realização do presente trabalho que teve como objetivo identificar e analisar os principais impactos causados pelas atividades das principais olarias do município de Tabatinga. O estudo foi realizado no período de julho de 2004 a agosto de 2005 em duas das principais olarias que formam juntas uma área continua de 90 ha localizada na estrada do Incra, Norte I, lote 06. |
| METODOLOGIA: |
| Para identificação e análise dos impactos ambientais, foram efetuadas visitas as olarias, as áreas de explotação das argilas e entrevistas com os trabalhadores das olarias e com os moradores das áreas circunvizinhas das olarias e do local de retirada das argilas. Com os trabalhadores para obter informações sobre o método de exploração das argilas, a produção de tijolos, números de funcionários e os locais de obtenção da madeira. Já as entrevistas com os moradores tiveram como objetivos obter informações sobre os problemas causados pelas olarias na qualidade de suas vidas. Através de GPS foram obtidas as coordenadas de localização e com a trena as medidas das áreas desmatadas e das cavas decorrentes da exploração das argilas. O estudo contemplou a identificação e análise dos impactos ambientais, sócio-econômicos e culturais, considerando os positivos e negativos, onde os impactos positivos se referem aos resultados benéficos e os negativos quando produzem danos ao meio ambiente. |
| RESULTADOS: |
| Como impactos positivos destacam-se a produção de tijolos e geração de empregos e renda. Em 2005, cada olaria produzia 150.000 tijolos por mês. Os desmatamentos e as cavas foram identificados como os principais impactos negativos. Os desmatamentos são executados com motosserra em pequenas parcelas de terra em media com 2500 m2 e a extração das argilas com retroescavadeira. Atualmente dos 90 ha de área com vegetação primária, 20 ha já foi desmatada. Para a extração da argila além dos desmatamentos, a camada de solo superficial é retirada e descartada formando um cenário de terras arrasadas devido aos processos erosivos. A erosão tem provocado também o assoreamento dos cursos de água de pequeno porte situados próximo das áreas desmatadas que mostram sinais de agonia de uma morte anunciada. A extração de argila tem provocado também o aparecimento de inúmeras cavas profundas (50 m comprimento por 50 m largura e 1,0 m altura) e têm servido de acúmulo de água das chuvas e criadores de mosquitos causadores da malária. A jurema, imbaúba, ingazeira, mulateiro, louro e envireira representam os tipos de madeira mais utilizados para a queima do tijolo. As atividades das olarias também provocam poluição por fumaça, alteração da paisagem (impacto visual) e desvalorização imobiliária. |
| CONCLUSÃO: |
| O desmatamento, cavas e fumaça provocados pelas atividades das olarias, foram identificados como os principais impactos ambientais negativos e têm causado desvalorização imobiliária dos imóveis situados próximos das olarias além de sociais e culturais, pois, muitas das casas dos índios Ticuna, que vivem em uma comunidade próxima da área urbana de Tabatinga, que eram de madeira ou tapera estão sendo transformadas em alvenaria. |
| Palavras-chave: Olarias, Impactos ambientais , Amazonas. |