| G. Ciências Humanas - 7. Educaçao - 18. Educação |
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| FORMAÇÃO EM SAÚDE NA AMAZÔNIA: TÓPICOS PARA UM DEBATE INTERDISCIPLINAR |
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Paulo Roberto de Abreu Bruno1, 2
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1. Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental/Escola Nacional de Saúde Pública 2. Fundação Oswaldo Cruz, Ministério da Saúde, Brasil
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| INTRODUÇÃO: |
| Nos debates recentes sobre o futuro do planeta a Amazônia ocupa posição importante, em razão do progressivo desmatamento do seu território, fenômeno que reduz a sua biodiversidade e resulta na precarização das condições de vida dos seus habitantes. Tais debates através dos meios de comunicação destacam as questões ambientais enquanto os aspectos sociais, embora muitas vezes também correspondam a situações de intensa vulnerabilidade – p. ex.: a questão da saúde entre os povos indígenas, ribeirinhos e habitantes de áreas urbanas precarizadas – recebam a menor atenção pública. O presente resumo baseia-se na tese de doutorado defendida pelo autor em setembro de 2008 no programa de Pós-Graduação em Ensino de Biociências e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que trata da questão da saúde na Amazônia a partir da análise histórica e político-pedagógica dos processos de formação de agentes de saúde indígenas na região do Alto Solimões. Busca compreender determinados processos político-pedagógicos desenvolvidos no âmbito do Distrito DSEI-AS no decorrer do presente século. Nos processos de formação de agentes de saúde indígenas dá-se o encontro entre racionalidades médicas distintas, situação que proporciona a análise sobre como diferentes práticas médicas relacionam-se. |
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| METODOLOGIA: |
| A metodologia adotada corresponde ao exame crítico das fontes e ao trabalho etnográfico. Na pesquisa bibliográfica foram consultados arquivos nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói (RJ), Benjamin Constant e Tabatinga (AM) e Letícia (AM, Colômbia). Além disso, foram pesquisadas bases de dados digitais da Biblioteca Virtual em Saúde e da Scientific Eletronic Library Online. O trabalho de campo se deu em locais situados nas cidades de Tabatinga, Benjamin Constant, Amaturá e São Paulo de Olivença e caracterizou-se pela pesquisa de caráter etnográfico. Alguns conceitos e modalidades de explicação e interpretação, referidos aos campos da antropologia social, da sociologia da educação e da epidemiologia social, foram fundamentais no processo de descrição dos fatos e nas suas análises, porém, coube à modalidade histórica atribuir-lhes significação apropriada, relacionando-os à definição do tema e à caracterização do problema em questão. |
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| RESULTADOS: |
| Constatou-se a existência de uma estreita vinculação entre mitos e aspectos explicativos relativos à causalidade de doenças. Tal característica proporciona uma demanda por rituais específicos que se dirigem para a busca do bem-estar físico e mental do doente. Através dos relatos coletados no trabalho de campo percebeu-se o caráter coletivo que possuem tanto o processo de quanto o próprio tratamento recomendado como “contrafeitiço”, da mesma forma como ficou evidenciada a inserção destes processos num campo de conflitos sociais e políticos que envolvem questões aparentemente sem importância da perspectiva da racionalidade biomédica. Verificou-se que diversas formas de diagnóstico e de tratamento utilizadas por especialistas indígenas são também pouco conhecidas ou, ainda, desvalorizadas por parte considerável dos profissionais de saúde responsáveis pela condução dos processos de formação de agentes de saúde indígena. Observou-se que os cursos de formação direcionados para os povos indígenas caracterizam-se pela hegemonia da concepção biomédica, cuja racionalidade é articulada ao conhecimento produzido por disciplinas científicas do campo da biologia, de caráter generalizante, mecanicista e analítico. |
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| CONCLUSÃO: |
| Os cursos de formação de agentes de saúde indígenas caracterizam-se por práticas de ensino que visam promover a memorização em lugar de estimularem atos educativos criativos e as funções intelectuais básicas. A memorização contribui para a assimilação de valores e práticas que são transmitidos com sentenças inquestionáveis, contrapondo-se, desse modo, a um aspecto fundamental na construção da identidade étnica que diz respeito às narrativas míticas e ao poder associado ao uso das palavras. |
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| Palavras-chave: Saúde, Amazônia, índios. |