| G. Ciências Humanas - 1. Antropologia - 8. Antropologia |
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| A APROPRIAÇÃO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E DAS MÍDIAS LIVRES NO MOVIMENTO INDÍGENA DE TEFÉ E ALVARÃES (AM) |
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Guilherme Gitahy de Figueiredo1
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1. Prof. Ms. - UEA
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| INTRODUÇÃO: |
| Desde o declínio do “ciclo da borracha”, quando se viveu na Amazônia um momento extremo de extermínio, sujeição e exploração dos povos indígenas, nota-se um avanço gradual na luta dos povos remanescentes pela autonomia. (Falhaber, 1998; Oliveira R. C., 1996; Oliveira J. P., 1977; 1999). A possibilidade de contato com atores cada vez mais diversificados possibilitou táticas de fortalecimento político, econômico e moral. Na região de Tefé (AM), a partir dos anos de 1970, a atuação da Igreja e do Centro Indigenista Missionário (CIMI) facilitou a formação de movimentos indígenas organizados em associações e uniões, dentre os quais se destacou a União do Povos Indígenas de Tefé (UNI-Tefé). Estes movimentos, nos anos de 1980 e 1990, privilegiaram táticas de luta pela terra e autonomia econômica. Nos últimos anos, a luta indígena vem se diversificando em novas associações e objetivos, refletindo a proliferação de políticas públicas voltadas aos povos indígenas (Oliveira A., 2000). Como parte dessa trajetória de luta pela autonomia, buscou-se analisar a forma como os indígenas têm agenciado parcerias que possibilitam a apropriação de mídias livres. |
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| METODOLOGIA: |
| Em 2006, a Universidade do Estado do Amazonas iniciou uma parceria com o Centro de Mídia Independente de Tefé o que, em 2007, tornou possível a atuação em atividades de extensão através do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia em Tefé. Oficinas e atividades com mídias livres foram levadas para a terra indígena Barreira da Missão e, mais recentemente, para a aldeia Marajaí. A história da construção da autonomia desses povos não nos permite tomá-los como consumidores da extensão universitária e do ativismo, mas sujeitos que agenciam parcerias e desenvolvem táticas de apropriação. Para analisá-las, o pensamento de Certeau (2003) pode ser usado como ferramenta: para este autor, o povo, mesmo em situações extremas de opressão, possuindo um controle mínimo sobre os meios de produção de sua existência, não pode ser visto apenas como consumidor. Isto porque ele passa a realizar sempre uma outra produção que é percebida, sobretudo, na maneira de usar os produtos e espaços dominantes. |
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| RESULTADOS: |
| A apropriação realizada pelos povos indígenas das tecnologias e oficinas de comunicação livre está se dando em várias dimensões. 1) Primeiramente como afirmação de sua cultura e direitos: quando usam a rádio falam em línguas indígenas, do direito à terra e da identidade étnica. 2) Usam também como forma de ampliação do alcance de sua “voz”: é o caso dos áudios e textos sobre suas atividades que têm sido divulgados pela internet. 3) A comunicação tem se revelado uma arma importante para a pressão política que o movimento indígena costuma realizar quando estão esgotados os canais de diálogo. A gravação em áudio e vídeo de promessas do secretário de educação de Tefé, por exemplo, chegaram a ser usadas como “prova” junto ao Ministério Público, garantindo o apoio da instituição à demanda de contratação de professores indígenas. 4) A comunicação tem ainda facilitado o processo de organização do movimento indígena, como, por exemplo, o uso da rádio para transmitir ao vivo as assembléias do movimento. 5) Finalmente, é importante destacar que, através destas atividades de pesquisa e extensão, o processo de colaboração entre povos indígenas e universidade tem amadurecido. |
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| CONCLUSÃO: |
| As táticas indígenas são a exploração das oportunidades que surgem com a diversificação dos atores (comerciantes, FUNAI, Igreja, universidade), o diálogo através do qual agenciam direitos e a pressão, quando o diálogo não é possível. A atividade de extensão universitária junto ao movimento indígena é fruto do seu agenciamento de direitos, e está servindo para fortalecer e abrir novas possibilidades para táticas que há muito já vinham sendo construídas. |
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| Palavras-chave: Extensão universitária, Mídias livres, Movimento indígena. |