Reunião Regional da SBPC em Tabatinga - Tabatinga / AM - 2009
G. Ciências Humanas - 9. Sociologia - 1. Sociologia da Saúde
SAÚDE E DIREITOS REPRODUTIVOS NO MÉDIO SOLIMÕES
Maria de Fátima Ferreira1
Eunice Cezário da Silva2
Fabiana Lopes Saquiray 2
Maria Creusiane de Souza Moraes2
1. Profa. Dra. – UEA/CEST/Tefé/AM - Orientadora
2. UEA/CEST/Tefé/AM - Iniciação Científica
INTRODUÇÃO:
Apresentamos alguns resultados da primeira fase do projeto de pesquisa e extensão Saúde e Direitos Reprodutivos no Médio Solimões que tem como objetivo conhecer a saúde e os direitos reprodutivos através da narrativa de três gerações de mulheres (avós, mães e filhas) na região do Médio Solimões, com um recorte para as mulheres urbanas, residentes na cidade de Tefé/AM, as mulheres indígenas da Barreira das Missões e as mulheres ribeirinhas moradoras na Reserva de Mamirauá.
O debate sobre saúde e direitos reprodutivos ganha visibilidade no conjunto da sociedade brasileira a partir de 1990, mostrando o problema social e as questões relacionadas a reprodução e tem como pano de fundo a luta pelo direito à livre escolha da maternidade, cuja obtenção repercute diretamente nas relações de gênero e na organização e estrutura familiar. A nossa hipótese é que na região do Médio Solimões nem as gerações de mulheres anteriores e nem as adolescentes atuais tem assegurado seus direitos sexuais e reprodutivos e se beneficiam e de novas estruturas familiares e mais igualdade entre os gêneros.
METODOLOGIA:
A primeira fase da pesquisa consistiu numa abordagem quantitativa através de 1) levantamento estatístico sobre sexualidade, contracepção, DSTs, aborto, parto e maternidade nos arquivos de registros da Secretaria da Saúde do Município de Tefé e 2) levantamento estatístico nos registros do Conselho Tutelar do município de Tefé/AM, para verificar os casos de denúncia de gravidez na adolescência. Os dados foram registrados numa planilha no computador, computados e a partir dos resultados foram elaboradas tabelas e gráficos, que serviram para iniciar uma reflexão sobre a saúde e os direitos reprodutivos na região do Médio Solimões. Apresentamos nesse trabalho alguns números expressivos encontrados nesse levantamento.
RESULTADOS:
No médio Solimões as mulheres começam a vida sexual a partir de 12 anos de idade, com algumas exceções para a idade de nove e dez anos e a maternidade ocorre com mais freqüência na juventude. Para o ano de 2007, do total de partos realizados no município (1.287), 32% foi na faixa etária de 10-19 anos, e 50% entre 20-29 anos. Encontramos um crescimento da fecundidade entre as meninas de 10 a 19 anos, em relação ao restante do país e também um número expressivo de bebês nascidos com HIV, ressaltando que muitos casos de HIV são identificados na primeira consulta pré-natal. O outro lado da questão é a ausência da paternidade, ficando a responsabilidade dos filhos com as mulheres, mães ou avós. Muito destes casos chegam ao Conselho Tutelar cobrando a responsabilidade desses pais e/ou suas famílias, porem muitos outros casos não são notificados. O Conselho Tutelar desde sua criação em maio de 2007, já registrou 23 casos de denúncia envolvendo gravidez na adolescência. A ocorrência da gravidez entre adolescentes de 10 a 14 anos está associada à violência sexual, freqüentemente cometida por parentes, como pais e padrastos.
CONCLUSÃO:
A expectativa desse estudo realizado em área estratégica da região Amazônica, o médio Solimões, é explorar a temática da Saúde e dos Direitos Reprodutivos das mulheres do Médio Solimões, estabelecer um diálogo com a literatura contemporânea sobre o tema, com a intenção de contribuir com a melhoria da assistência da saúde das mulheres dessa região, através da adoção de novas políticas públicas na área da saúde e mais igualdade nas relações de gênero.
Instituição de Fomento: FAPEAM
Trabalho de Iniciação Científica
Palavras-chave: relações de gênero, gravidez na adolescência, parto.