Reunião Regional da SBPC em Tabatinga - Tabatinga / AM - 2009
G. Ciências Humanas - 2. Arqueologia - 4. Arqueologia
A difusão do conhecimento em arqueologia na Amazônia
Anne Rapp Py-Daniel1,2
Helena Pinto Lima1,2
Eduardo Góes Neves2
Carla Gibertoni Carneiro2
Maria Tereza Vieira Parente2
1. Universidade do Estado do Amazonas
2. Universidade de São Paulo
INTRODUÇÃO:
Este trata da difusão do conhecimento arqueológico atualmente produzido na Amazônia. Para tal nos baseamos nos resultados do Projeto Amazônia Central, do qual fazemos parte.
Os trabalhos de Arqueologia, particularmente os de Educação Patrimonial, têm o objetivo de difundir as informações encontradas ao público em geral, e contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes do mundo que os rodeia.
No Brasil há uma legislação rigorosa sobre a conservação do Patrimônio Arqueológico, entretanto ela pena a se fazer respeitar pela falta de recursos humanos. Nela encontramos a obrigatoriedade de transmissão de conhecimento, mas isto não é tarefa simples, pois a transformação do conhecimento científico em conhecimento popular é facilmente distorcida. Para que essa difusão se faça de maneira coerente faz-se necessário um diálogo entre todas as partes. Na Amazônia essa necessidade é ainda maior, por ser uma das regiões do país mais rica arqueologicamente.
METODOLOGIA:
A transmissão de conhecimento se faz por vários meios, dentre os mais eficazes são as oficinas de trabalho com a comunidade e a produção de material didático como guias temáticos, cartilhas, pôsteres e outros. Porém o diálogo honesto entre pesquisador e população é indispensável, isso pode acontecer por meio de visitas a sítios arqueológicos em processo de escavação ou palestras em escolas.
É inviável a presença de pesquisadores e educadores nas comunidades de forma integral, portanto é necessário formar agentes difusores, que podem ser professores de educação infantil, fundamental ou ensino médio e que continuam o trabalho de difusão com seus próprios alunos. Além disso, é de extrema importância manter um contato direto com os órgãos de controle, por exemplo, cursos ministrados para Tomadores de Decisão - lideres de comunidades, gestores ambientais, advogados das varas ambientais - despertam interesse e conscientização em personagens centrais para a conservação do patrimônio.
RESULTADOS:
Os resultados atestados com o desenvolvimento da arqueologia são: a preservação de sítios arqueológicos; maior diálogo entre comunidade, pesquisadores e órgãos de preservação; desenvolvimento do interesse pela arqueologia; difusão sobre os modos de vida antes da colonização. Essa difusão do conhecimento arqueológico permite que a própria população se torne “vigia” do seu patrimônio
A pesquisa vinculada aos trabalhos de difusão traz novas perspectivas de comunicação com as comunidades, criando interesse na área e abrindo novas oportunidades de trabalho para as comunidades. Pois além da contratação de ajudantes durante etapas de campo, há uma procura mais efetiva por formações/especializações em arqueologia ou áreas associadas. Exemplos disso podem ser: a criação de museus, que trazem maior visibilidade para a comunidade, e o surgimento de cursos de formação superior na área, como é o caso do curso de Tecnologia em Arqueologia pela Universidade do Estado do Amazonas que começa esse ano.
CONCLUSÃO:
A interação entre pesquisadores e comunidades locais traz benefícios ao pesquisador, pois este aprende com a comunidade: sobre particularidades locais (ecossistema, geografia, etc.), e sobre modos de vida tradicionais; enquanto que a comunidade aprende com o pesquisador: sobre a história do local em que vive. Por isso a pesquisa é, por excelência, uma via de duplo sentido, pois tanto aprendemos quanto ensinamos.
Instituição de Fomento: USP/FAPESP
Palavras-chave: Arqueologia Amazônica, Transmissão de conhecimento, Educação Patrimonial.