| Reunião Regional da SBPC em Tabatinga - Tabatinga / AM - 2009 |
| G. Ciências Humanas - 1. Antropologia - 5. Antropologia Urbana |
| A “galera do Juruá” e o preconceito em Tefé - AM |
| Dinalva Severiano Alves1 Guilherme Gitahy de Figueiredo2 |
| 1. CEST/UEA 2. Prof. Msc. - CEST/UEA - Orientador |
| INTRODUÇÃO: |
| O estudo está sendo realizado no bairro Juruá do município de Tefé (AM), considerado um dos melhores da cidade por se localizar próximo ao centro e seus habitantes na maioria se considerem de “classe média alta”. Apesar disso, o bairro é pontilhado por casas de famílias consideradas “pobres”, especialmente na área próxima da beira. Neste bairro existe um grupo de jovens pobres (nem todos residentes no bairro) estigmatizados como “galerosos”, o que para a maior parte da população da cidade significa “bandido”. O propósito desta pesquisa é compreender o ponto de vista destes jovens sobre suas próprias atitudes e o preconceito que a sociedade tem contra eles, os problemas sociais que vivem e como lidam com eles, e suas expectativas, levando-se em consideração o contexto em que estão inseridos. Busca-se assim contribuir com a participação dos jovens na construção do diagnóstico das fragilidades que caracterizam a condição juvenil nos dias de hoje. |
| METODOLOGIA: |
| O estudo toma por base os métodos de observação participante e história de vida. Para a coleta de dados foram criadas categorias de análise traçadas em um guia de campo. Até o momento já fiz observações, conversas informais e entrevistas em locais que comumente freqüentam, como por exemplo, o “banho” (praia), ou em locais onde gostam de se reunir longe do agito das ruas para beber, cheirar cola, conversar e nadar. Estão sendo registradas observações sobre diversos aspectos do seu comportamento, como por exemplo, a maneira de dançar, se vestir, com quem e como se relacionam nestas ocasiões. Já realizei duas entrevistas de história de vida com integrantes do grupo, duas entrevistas com pais destes jovens, colhi opiniões informais de cinco moradores do bairro e entrevistei um professor conhecedor dos direitos da criança e do adolescente. |
| RESULTADOS: |
| Para este grupo de jovens, o rótulo “galeroso” é um preconceito, pois eles não se consideram membros desta categoria. Querem ser aceitos pela sociedade como são, e não querem que as pessoas tenham medo deles simplesmente pelo fato de se vestirem diferente, pela suas formas de diversão e atos que cometem. Além de serem discriminados pela sociedade, muitas vezes sofrem até com o desprezo da família. Outros problemas que eles apontam em suas vidas são a falta de um local de lazer, emprego, e conflito familiar, principalmente entre padrastos e enteados. Alguns chegam a considerar que a falta de um local de lazer e o desemprego é a causa de todos os outros problemas, afirmando que não têm em que ocupar seu tempo e o único meio de diversão é conversar, jogar baralho, beber, cheirar cola e dançar. Devido ao preconceito não conseguem empregos, apenas pequenos bicos como cortar uma árvore, jogar lixo ou carregar água. Sofrem também abuso de autoridade da polícia: são torturados e humilhados, quando presos. |
| CONCLUSÃO: |
| A visão da sociedade a respeito deste grupo de jovens se contrapõe à deles. Para a sociedade eles são um grande mal que não pode se misturar com ela e precisa ser eliminado. Já eles acham que merecem as oportunidades que todo jovem tem direito, como emprego e lazer, e que suas diferenças de estilo de vida devem ser respeitadas. Esses meninos precisam ser conhecidos, para que se rompa a barreira do preconceito e eles possam receber a ajuda garantida por lei. |
| Instituição de Fomento: FAPEAM |
| Trabalho de Iniciação Científica |
| Palavras-chave: Juventude, Galeras, Criminalização. |