Reunião Regional da SBPC em Tabatinga - Tabatinga / AM - 2009
G. Ciências Humanas - 1. Antropologia - 5. Antropologia Urbana
A sexualidade, o preconceito e a violência com mulheres em Tefé - AM
Danúbia Severiano Sena1
Guilherme Gitahy de Figueiredo2
1. CEST/UEA
2. Prof. Msc. - CEST/UEA - Orientador
INTRODUÇÃO:
Este trabalho apresenta as primeiras conclusões da pesquisa intitulada “Mulheres, prática sexual, preconceito: o significado de “prostituição” na cidade de Tefé - AM”. Os freqüentes comentários preconceituosos de visitantes e moradores da cidade sobre mulher tefeense, dizendo que são “todas putas”, motivaram a realização da pesquisa. Realizada em diversos pontos da zona urbana da cidade (porto, boates, praia, praças, etc), o objetivo é investigar o ponto de vista das mulheres consideradas “prostitutas” ou “quengas” sobre os preconceitos que vivenciam em seu cotidiano, como lidam com eles, seus anseios e perspectivas, bem como o ponto de vista dos homens que interagem com elas.
METODOLOGIA:
Está sendo realizada uma etnografia e colhidos depoimentos de história de vida. As técnicas utilizadas são a observação, conversas informais, e entrevistas registradas em áudio e em caderno de campo. As histórias de vida estão sendo obtidas com conversas informais ao longo de semanas de contato, pois as moças não aceitam gravar áudios. No decorrer da pesquisa foram encontradas diversas dificuldades: ausência de auxílio técnico e atraso nas bolsas, inviabilizando o pagamento para a entrada nas boates, o medo das informantes para a utilização de gravações de áudio, e o preconceito sofrido pela pesquisadora dentro da sala de aula por alguns colegas, que afirmam “olha lá vem a chefe das putas”, entre outras “piadinhas”.
RESULTADOS:
Do ponto de vista dos clientes de “garotas de programa” do porto e das praças, existem dois tipos de prostitutas: a “quenga” - aquela mulher que sai para as festas para curtir e beber com os homens, e no fim da noite vai para a cama “para pagar o que foi consumido durante a noite” -, e a “puta” - que fica com os homens simplesmente pelo dinheiro. Por enquanto foram pesquisadas apenas as mulheres consideradas “putas”, no porto e praças do centro. A maioria delas afirma gostar de sexo e sentir prazer em cada relação sexual feita por dinheiro, e por isso gosta “muito” do que faz. Outras não gostam tanto do trabalho, apesar de gostarem de sexo. O principal problema encontrado pela pesquisadora é a violência física de que frequentemente as mulheres são vitimas. As mulheres não denunciam as agressões, pois as autoridades também às discriminam. As mulheres dizem que sofrem gozações das autoridades, e estas não registram as queixais.
CONCLUSÃO:
Até o momento é possível concluir que o preconceito com as mulheres da cidade possuir nuances relevantes: até o momento distinguiu-se as “quengas” e as “putas”, categorias que marcam diferentes formas de discriminação e segregação social. Quanto às mulheres vistas como “putas”, levantou-se que exercem uma profissão que elas afirmam que lhes dá prazer, mas que as torna vulneráveis à discriminação, violência por parte dos homens e à omissão das autoridades.
Instituição de Fomento: FAPEAM
Trabalho de Iniciação Científica
Palavras-chave: Gênero, Sexualidade, Prostituição.