| Reunião Regional da SBPC em Tabatinga - Tabatinga / AM - 2009 |
| G. Ciências Humanas - 7. Educaçao - 18. Educação |
| INTERCULTURALIDADE ENTRE OS DOCENTES DA ESCOLA ESTADUAL INDÍGENA ALMIRANTE TAMANDARÉ DA COMUNIDADE UMARIAÇU II DO MUNICÍPIO DE TABATINGA – AM |
| Janete de Almeida Gonçalez1 Francisca Lílian Almeida da Silva1 Virgílio Bandeira do Nascimento Filho2 Simone Cardoso Soares2 |
| 1. Acadêmicas do curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade do Estado do Amazonas (CSTB) 2. Professores orientadores da Universidade do Estado do Amazonas (CSTB) |
| INTRODUÇÃO: |
| A interculturalidade como categoria constitutiva de uma escola indígena, e como essa relação é uma questão complexa e desafiadora à pratica docente (Paula 1999). Segundo essa autora, a escola, quando se instala numa comunidade indígena – quer a pedido desta, quer à custa de ações marcadas por imposições colonialistas, ainda presentes em nossos dias – traz no seu cerne a problemática de interculturalidade, visto ser ela uma instituição tão caracteristicamente criada pelas sociedades ocidentais. Esse entrelaçamento de culturas propõe a uma escola indígena diferenciada, de qualidade, e exige das instituições e órgãos responsáveis a definição de novas dinâmicas, concepções e mecanismos, tanto para que estas escolas sejam de fato incorporadas e beneficiadas por sua inclusão no sistema oficial, quanto para que sejam respeitadas em suas particularidades. A Escola Estadual Indígena Almirante Tamandaré, localizada na comunidade de Umariaçu II, Tabatinga-Am, não difere dos preceitos discutidos na literatura, pois representa uma tentativa de tradução da Escola ocidental, visto que a diferença étnica está sendo anulada para incorporar os Ticuna a sociedade ocidental. Desse modo, esse estudo se propôs a verificar o processo de interculturalidade entre os professores dessa instituição de ensino, bem como suas práticas pedagógicas. E assim, evidenciar se há problemas decorrentes desse entrelaçamento de culturas, uma vez que atuam como educadores tanto professores indígenas como não indígenas. |
| METODOLOGIA: |
| Realizaram-se entrevistas semi-estruturadas (Filho & Gamboa, 2000) a seis professores indígenas e seis não indígenas, onde se pode compreender a escola indígena enquanto espaço organizacional, que se constitui por meio das inter-relações humanas, culturais e profissionais, considerando as diversidades apresentadas pelos grupos que estão inseridos naquela instituição de ensino. |
| RESULTADOS: |
| Segundo os resultados da pesquisa no que diz respeito às experiências partilhadas entre os professores tanto indígenas quanto não indígenas houve semelhanças nas respostas. Também, verificou-se que quando os professores indígenas não sabem métodos para ministrarem suas aulas, procuram os professores não indígenas pedindo alternativas para ministrar determinada aula. Esses profissionais não negam auxilio aos seus colegas, porque assim há trocas de experiências entre ambos e um melhor relacionamento tanto dentro da escola quanto fora dela. Cada realidade cultural tem sua lógica interna, assim como cada professor tem a sua metodologia, a qual deve procurar conhecer para que suas práticas, costumes, concepções e transformações pela quais passam possam fazer sentido. Desta maneira, cada um dos professores da Escola Estadual Indígena Almirante Tamandaré, possui métodos e técnicas que contribuem para excluir qualquer tipo de preconceito existente entre ambos; indígenas e não indígenas, pois, os métodos são resultados de sua historia e eles relacionam-se com as condições materiais de sua existência. Portanto, pode-se verificar nesse estudo, que ocorre o processo de interculturalidade na Escola Estadual Indígena Almirante Tamandaré, pois há um entrelaçamento de diferentes culturas. |
| CONCLUSÃO: |
| O trabalho apresentado mostra a realidade vivida pelos docentes que integram a escola referida, abordando os aspectos físico, humano, raciais e a interação cultural. A interculturalidade, quando pensada no cotidiano de uma escola indígena, está intrinsecamente ligada à questão dos conhecimentos. Não se propõe que para garantir o caráter intercultural deva haver necessariamente professores não-índios e indígenas trabalhando lado a lado. A educação, pensada como um processo contínuo tem como objetivo socializar os novos membros e isso é encarado como uma responsabilidade do grupo. |
| Instituição de Fomento: FUNDAÇÃO DE AMPARO A PESQUISA NO AMAZONAS |
| Trabalho de Iniciação Científica |
| Palavras-chave: Interculturalidade, comunidade, professores. |